A ESTRANHA CADEIRA DE BALANÇO

A ESTRANHA CADEIRA DE BALANÇO


Balançava sozinha. Era uma cadeira de balanço daquelas antigas, em madeira de lei, sem pregos. Toda de encaixe. O assento e o encosto eram de palhinha. Os adereços da cadeira eram em veludo vermelho. Uma almofada linda.
    Tudo começou quando o novo empregado da casa pediu demissão. Procurou o proprietário, o Sr. Agenor, e comunicou-lhe, em tom quase confessional, que não ia continuar a morar na casa, e estava dispensando o trabalho.
    O Sr. Agenor ficou atônito. Não é assim de um dia para o outro que se troca um caseiro, um empregado. Gasta-se um tempo. É necessário buscar. Não é assim...
    Joel, o empregado foi peremptório.
- Não fico mais nem um dia!
- Mas o que foi que aconteceu? Você parecia tão satisfeito aqui!
- Estava realmente! Lidar com gente é fácil...
- Então?
- ...Com fantasma é diferente!
- Não estou entendendo!?
- A cadeira Sr. Agenor...
    Em suma, Joel despedia-se da casa por ter testemunhado que a cadeira balançava sozinha. Era alheio aos maus espíritos. Temia!
    Lá se foi Joel. Ficaram o Sr. Agenor e sua cadeira.
    - Bobagem! Crendice!
    E o tempo passando. O Sr. Agenor foi ficando mais atento em sua cadeira de balanço. Para a família não disse o motivo do abandono de Joel. E tinha as crianças, não queria impressioná-las com maus exemplos.
    Passou a usar a cadeira para suas sestas. Após o almoço, diariamente, passou a usar sua cadeira de balanço. Vinte minutos de repouso. Muito agradável. Tudo muito natural, até que um dia... percebeu que a cadeira o ninava, balançando-se por si mesma, suavemente, sem que nenhum esforço de sua parte a fizesse agir.
    - Êpa!!! – E levantou-se apressado!
    Foi a conta de a cadeira ampliar sistematicamente o seu ritmo, provocando os ruídos naturais de uma cadeira de balanço que balança, e, pasme-se, começar a sair do chão, como se não tivesse peso. Boiava no ar, para lá e para cá, em doce e suave balanço, apesar dos pequenos ruídos.
    O Sr. Agenor, pasmo, olhava aquilo sem acreditar.
    A cadeira foi alçando o ar, suavemente, subindo, subindo, lentamente, até alcançar a altura da larga janela com cortinas de voil. O vento suave fez deslizar janela afora a cadeira de balanço, vazia que, flutuando sai – magicamente - da sala e ganha o espaço, assim como um balão que foi-se diminuindo no ar...diminuindo...até sumir no horizonte.
    Era de se ver a cara do Sr. Agenor!
    Crendice?