SER EVANGÉLICO (Parte I)

SER EVANGÉLICO (Parte I)


Por Roberty Lauar
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O termo “evangélico” deriva da palavra “evangelho”, a qual significa “boas novas”. Durante toda a história, o termo “evangélico” foi usado para referir-se a tudo o que concerne ao evangelho de Jesus. Após a Reforma Protestante, esse termo começou a ser usado de uma forma crescente pelas denominações que surgiram posteriormente, até chegar ao ponto de identificar os membros de tais denominações como “evangélicos”
O número de evangélicos no Brasil aumentou 61,45% em 10 anos, segundo dados do Censo Demográfico divulgado recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos, ou 15,4% da população. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões, ou 22,2% dos brasileiros. Em 1991, o percentual de evangélicos era de 9% e, em 1980, de 6,6%.
Mesmo com o crescimento de evangélicos, o país ainda segue com maioria católica. Segundo o IBGE, o número de católicos foi de 123,3 milhões em 2010, cerca de 64,6% da população. No levantamento feito em 2000, eles eram 124,9 milhões, ou 73,6% dos brasileiros. A queda foi de 1,3%.
Evangélicos
Nos países anglo-saxões, onde a Reforma Protestante eclodiu no século XVI, o termo “evangélico” é usado para definir quase todas as doutrinas cristãs protestantes. Na Alemanha, berço do luteranismo, seu uso chega a ser mais específico: é comum se referir aos membros da Igreja Luterana como evangélicos, excluindo-se o resto dos protestantes. Já no Brasil, quando se fala de evangélicos, trata-se de uma forma genérica de se referir às correntes protestantes pentecostais e neopentecostais (veja abaixo), surgidas somente no século XX. De forma simplificada, pode-se dizer que todo evangélico é protestante, mas nem todo protestante se considera evangélico.
Protestantismo Histórico
Movimento iniciado na Europa no século XVI, cujo marco célebre são as 95 teses do teólogo cristão Martinho Lutero criticando uma série de práticas e doutrinas da Igreja Católica. Ao romper com o Vaticano, Lutero desencadeia a Reforma Protestante, que culmina com a fundação de correntes cristãs dissidentes, como a própria Igreja Luterana, a Calvinista e a Metodista. A maioria das igrejas protestantes rejeita o culto a Maria e aos santos e o celibato clerical, além de admitir práticas como o divórcio e os métodos anticoncepcionais.
Protestantismo Pentecostal
Corrente que aparece nos Estados Unidos nos primeiros anos do século XX, entre fiéis metodistas insatisfeitos com a falta de fervor em suas igrejas. Devido aos cultos vibrantes, marcados por expressões de êxtase e fortes emoções, não demora a se difundir pelos EUA, e posteriormente por países mais pobres, especialmente na América Latina. Em linhas gerais, os pentecostais acreditam em aspectos milagrosos da fé, como o poder de cura do Espírito Santo, e enfatizam a pregação do Evangelho aos não convertidos. A maioria das igrejas pentecostais cobra dízimo de seus fiéis
Protestantismo Neopentecostal
Fenômeno surgido a partir dos anos 1970, que se difere do pentecostalismo tradicional especialmente por estimular o fiel a buscar a prosperidade em lugar da graça. Seus rituais espetaculosos, que não dispensam curas milagrosas e exorcismos, não escondem o fato de que grande parte das igrejas neopentecostais não são muito rígidas no que diz respeito aos hábitos e costumes de seus fiéis. Algumas delas mantém forte presença na mídia eletrônica, controlando a programação (quando não as finanças) de centenas de emissoras de rádios e televisões Brasil afora.
EVANGÉLICOS PELO MUNDO
Embora o Brasil seja – de longe – o maior país pentecostal do mundo, o fenômeno não é exclusividade nacional. Por ser o berço desta tradição religiosa, os Estados Unidos ainda concentram a segunda maior massa pentecostal do mundo: quase seis milhões, ou perto de 2% de sua população. Quando se trata de evangélicos de forma geral, os americanos nos superam em larga margem: são 44 milhões nos EUA, contra 27,6 milhões no Brasil. Tirante os dois gigantes, o continente onde encontram-se mais evangélicos é a África. Só na Nigéria são mais de 25 milhões, seguidos pelos 10,3 milhões da Etiópia e os 9,4 milhões do Quênia. Na Ásia, os evangélicos representam mais da metade da população da Coréia do Sul, sendo um quarto deles de pentecostais, e também prosperam na Índia (11 milhões, pouco se comparado à maioria hinduísta do país) e na Indonésia (5,3 milhões). Entre os latino-americanos, destacam-se as massas evangélicas da Argentina, com 2,5 milhões de religiosos – quase todos pentecostais – e do México com 2,4 milhões. Toda esta presença internacional tem estimulado muitas das igrejas evangélicas brasileiras a abrir filiais no exterior. A Igreja Universal do Reino de Deus possui sede em todos os continentes do planeta - está em 70 países. A Internacional da Graça de Deus, do telepastor  R.R. Soares vai pelo mesmo caminho: já chegou aos Estados Unidos, ao México e ao Japão. E dentre as mais antigas, a Assembléia de Deus possui endereços nas Américas, na Ásia e na Europa. (Continua...)