O verdadeiro amor é inexplicável e independe do sexo, é arrebatador e pronto!

O verdadeiro amor é inexplicável e independe do sexo, é arrebatador e pronto!


Por Roberty Lauar
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Paula e Cristiane, duas mulheres obstinadas, apaixonantes e sensíveis, realizaram o sonho do casamento, vestidas de noiva, com véu e grinalda, da festa, da troca de alianças e do compromisso formalizado perante a sociedade. Protagonizaram o primeiro casamento homoafetivo (união estável entre pessoas do mesmo sexo) em Lagoa Santa, cercadas de amigos, parentes e admiradores. Foi um evento marcante, singelo e muito agradável que ficará na memória de todos os presentes. O JD – Jornal Diferente cobriu com exclusividade este momento histórico em nossa cidade e se orgulha de ter dito “sim” também. Paula e Cris, até chegarem ao tão esperado momento do “sim”, ouviram alguns “nãos” carregados de preconceito, como o de uma decoradora local que se negou a participar dizendo “Isso eu não vou fazer”.
Sob o ponto de vista da Cris “todos que tem preconceito, só vem o lado negativo das coisas e não pensam que as pessoas só querem ser felizes. Somos duas pessoas comuns como todas as outras, trabalhamos, somos produtivas, amigas das pessoas que nos cercam e contribuímos como cidadãs de forma ética e responsável”.
Ainda segundo Cris, um dia ouviu de um pastor de uma Igreja da região da Vila Maria que o homossexualismo é o terceiro sexo e que numa escola, por exemplo, deveria ser construído um banheiro separado para ser utilizado somente pelos “diferentes”.
“Nota do JD: Puro maniqueísmo destes que pensam assim, pois tentam dividir o mundo entre o bem e o mal ao invés de tentarem mudar a percepção das pessoas”.
A história de Paula e Cris é intensa e bastante peculiar. Nenhuma delas vivenciou ou demonstrou tendência homossexual na infância ou na adolescência, pelo contrário, Paula, hoje com 25 anos namorou com rapazes, e Cris, hoje com 35 anos, foi casada por 10 anos, teve dois lindos filhos e viveu uma vida comum, como qualquer boa dona de casa. Após 10 anos de casada veio a separação e, sozinha, acabou tendo que se virar e procurar um lugar para morar com os filhos e, foi nesse momento e por obra do destino, que acabou dividindo o aluguel com uma de suas conhecidas – Paula, hoje o amor eloqüente e verdadeiro da sua vida.
Com o passar do tempo, sem perceberem, apaixonaram-se. Descobriram juntas que a amizade, o respeito, o companheirismo e a compreensão geram o amor sereno e doce que vivenciam ainda hoje.
Para elas, o amor simplesmente aconteceu e, segundo Cris, com os olhos cheios de ternura afirma: “Nunca amei com tanta intensidade”.
Seus filhos, Ayron e Laila, sempre respeitaram a relação. Num primeiro momento, até não perceberam o amor entre as duas, mas o tempo se encarregou de ser o senhor da razão e hoje vivem harmoniosamente como uma família feliz.
Paula e Cris moram juntas há sete anos e sempre mantiveram um relacionamento de respeito e harmonia e, ainda hoje, continuam sendo, acima de tudo, grandes amigas e, segundo elas, esse é o grande segredo para o sucesso em qualquer relação.
Dizem em uníssono: “Sempre fomos discretas e respeitosas com amigos, vizinhos e colegas de trabalho e somos totalmente éticas na convivência com todos”. Paula ajudou Cris a criar seus filhos desde bem pequenos, com carinho e cuidados extremos e, segundo Cris, esta situação jamais revogaria sua condição de mãe zelosa e preocupada com o futuro e o bem estar deles. Carregada de emoção completa: “meus filhos são exemplos de uma boa criação. São dois jovens felizes, educados e compreensivos.
Perguntadas sobre o porquê da cerimônia, dizem: “A decisão da cerimônia e da festa de casamento, além da formalização anterior em cartório da união civil, partiu do sonho de nos casarmos vestidas de noiva, com toda pompa e circunstância e não poderíamos deixar de realizá-lo, somente por sermos duas mulheres”.
Diga-se de passagem: duas mulheres de fibra, coragem e muito amor!