Museu de Ciências Naturais da PUC Minas pega fogo

Museu de Ciências Naturais da PUC Minas pega fogo


Por Fabrícia Araújo
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Professor Castor Cartelle - Curador da coleção de Paleontologia da PUC MINAS    O Museu de Ciências Naturais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), responsável por abrigar importantes peças de animais da mega fauna encontrados na região do cerrado em Lagoa Santa - pegou fogo no último dia 22 janeiro.  A causa do incêndio segundo relatou o coordenador do museu, Bonifácio Teixeira, se deve a um “provável curto circuito”.
    O incêndio causou estrago maior no segundo andar, onde estavam instaladas as exposições de “Peter Lund – Memória de um Naturalista, Cerrado, Pleistoceno”. Segundo o coordenador, entre as peças mais prejudicadas estão a réplica da caverna, que ficou totalmente destruída e também a da Preguiça Gigante.  Bonifácio nos informou que “os cenários, instalações elétricas, rede lógica, instalações hidráulicas e pintura foram muito danificados. O importante é que não se perdeu nenhum material original que são depositados nas coleções científicas. Já iniciamos a construção de uma nova cópia da Preguiça Gigante”. O corpo do gorila Idi Amin, que está em processo de taxidermia (empalhamento) não foi afetado.
    A cruz que se encontrava no túmulo de Lund em Lagoa Santa e que foi transferida há alguns anos para o Museu de Ciências Naturais da PUC Minas, pois estava se deteriorando no cemitério, devido a má conservação do espaço, não foi danificada pelo incêndio. Além disso, um dos baús contendo fósseis encontrados por Lund em Lagoa Santa e enviados por ele para a Dinamarca, hoje em exposição no Museu se manteve intacta. Tais peças podem ser vistas por todos que tiverem a curiosidade e o interesse em conhecer um pouco mais sobre a rica história de Lagoa Santa.
    O curador da coleção de paleontologia do museu e também grande conhecedor da pré- história das Américas, Professor Castor Cartelle, diz que apesar do estrago causado pelo incêndio, importantes peças foram salvas. Segundo ele, “a cruz original do túmulo de Lund e a arca de Peter Lund não sofreram danos graves, muitas peças se encontram em perfeito estado, até mesmo os jornais com registros da história não foram prejudicadas, porém, as partes gráficas, como registros fotográficos de Lagoa Santa, precisarão ser refeitos”.
    Em entrevista, o professor Cartelle destacou a contribuição de Lagoa Santa para a história das Américas e abordou sobre a valorização dos acontecimentos históricos. “Lagoa Santa abriga elementos tão ricos, que deveriam ser melhor explorados. O cemitério de Lund, parte integrante da história da cidade, deveria ganhar mais importância. Os lagoasantenses devem vir conhecer o Museu de Artes Cênicas da PUC, pois abriga dados históricos da cidade, de grande importância”. O professor também estendeu o convite ao Prefeito de Lagoa Santa, Dr. Fernando. “Convido também o prefeito de Lagoa Santa para vir ao Museu, para que ele possa conhecer e apreciar um pouco mais da história da cidade”.
    Perguntado sobre o Museu P.W Lund inaugurando recentemente pelo Príncipe da Dinamarca e que fica na Lapinha em Lagoa Santa, o professor diz que “as peças expostas lá, assim como as existentes no museu da PUC, são de fundamental importância para a história das Américas. Lagoa Santa tem um acervo histórico que deve ser mais conhecido pela população. O museu P.W Lund e suas peças complementam o acervo da PUC Minas. São importantes peças que se completam e contam a história da cidade e os importantes fatos ocorridos nela”.
O coordenador do Museu da PUC destaca ainda a importância e o significado dos fósseis encontradas pelo famoso paleontólogo na cidade de Lagoa Santa. “A reprodução de fósseis, objetos de estudos de Lund tem grande importância cênica, registro da memória e como informação científica. Quanto as peças originais, são de valor inestimável e constituem um acervo único, fruto de um longo trabalho de pesquisadores do Museu”.
    Sobre a reabertura do museu, a expectativa é de que parte seja reaberta em julho deste ano. Segundo Cartelle, “não dá para prever a conclusão das obras, pois ainda há muito trabalho a ser feito”.