Afinal, onde comprar?

Afinal, onde comprar?


Por Fabrícia Araújo

Comprar, consumir, gastar. Verbos atrativos, que conquistam os olhos, ouvidos e paladar dos consumidores para satisfação de vendedores e comerciantes. Esta saudável relação acontece através da famosa lei da oferta e da procura que movimenta a economia do país.
Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, cidade bem desenvolvida, apresenta variedade de bens de consumo, produtos e serviços de todos os tipos e preços, lá a lei da oferta e da procura acontece com desenvoltura, uma vez que, há retorno positivo para comerciantes e consumidores.
Em se tratando de cidades, tidas como do interior, como é o caso de Lagoa Santa, não acontece da mesma forma. Ainda falta muito para uma economia de mercado fortalecida e robusta.
Gerente de grande loja do varejo em shopping de Belo Horizonte, Wânia Aparecida Alves da Costa diz que o fluxo de pessoas vindas do interior é grande, principalmente de cidades como Pedro Leopoldo, Lagoa Santa e Vespasiano. Para ela: “O que leva as pessoas a se deslocarem, é a falta de variedade em cidades tidas como do interior”. Ainda segundo Wânia a oportunidade de ir a um shopping, dá aos consumidores a variedade de produtos e preços desejados, o que faz com que este local acabe se transformando num verdadeiro “centro de ilusões”, levando os consumidores a gastarem muito mais do que o previsto, pelo simples fato de estarem onde encontram de tudo, além do conforto e lazer”.
A cabeleireira Marlete de Oliveira Araújo, moradora do bairro Palmital em Lagoa Santa, acredita que a falta de opções e de preços mais acessíveis no comércio da cidade, afaste os consumidores. Segundo ela: “Seria mais interessante comprar em Lagoa Santa do que ter de ir à capital. E afirma que, de modo geral o preço em Lagoa Santa é mais caro”.
A pouca variedade, de modelos, cores, tamanhos, etc, ofertadas por comerciantes locais faz com que consumidores sem opção, migrem para outros lugares e efetuem por lá suas compras. Poucas opções de produtos e ofertas acabam gerando pouca demanda causando prejuízos aos comerciantes.
Para quem trabalha no comércio de Lagoa Santa, em uma grande loja do varejo como é o caso da gerente Crystiane Carvalho, a visão é outra: “A cidade está perdendo consumidores pelo fato dos mesmos não se informarem das opões do comércio local”. Segundo ela: “Uma grande loja do varejo, pode sim, oferecer o mesmo produto com a mesma qualidade”. “O preço na loja não varia com o da loja de Belo Horizonte. O produto não vai ser mais caro por ser do interior, além de tudo isso, economiza-se, não sendo necessário se deslocar até a capital.”, diz.
Na visão de Cláudia Martins, gerente de uma loja de calçados em Lagoa Santa, a população está mudando de opinião. Ela acredita que “há vendas satisfatórias no comércio de Lagoa Santa”. Segundo ela, a loja de calçados onde trabalha, teve crescimento de 10% nas vendas desde o início do ano.
Na visão da vendedora Cibele Soares da Silva, “a falta de consumidores fez com que muitos comerciantes fechassem as portas e contabilizassem prejuízos nos últimos meses”.
Kelly Cristina Carvalho, gerente de papelaria considera importante a pesquisa feita pelo JD e afirma: “A diferença pode ser menor se o consumidor comprar em maior quantidade. O preço final pode fazer a diferença, se comprado no varejo ou no atacado.”
Deslocar-se para Belo Horizonte (uma distância de 30 quilômetros) para consumir não fica tão barato quanto parece. Deve-se levar em consideração o deslocamento, o gasto com passagem ou combustível e até mesmo com alimentação. São fatores que envolvem gastos além do objetivo principal que é o de comprar.
O conforto para os clientes também pode ser um atrativo. Um estacionamento na loja evita deslocamento extenso até o carro. Em nossa cidade nem sempre é assim: O gerente de uma farmácia no centro, Cícero Lima afirma que: Nem sempre são os clientes que utilizam as vagas de estacionamento em frente a loja e com isso perdemos com facilidade para a concorrência”, diz.
Resta saber, se acreditamos, que o comércio em uma cidade como Lagoa Santa, em desenvolvimento, em mudança constante e próximo à capital, tem condições de ser competitivo para que a população consiga desfrutar do conforto de comprar, consumir e gastar, sem ter que sair “de casa”, além de proporcionar uma economia estável, que possa beneficiar a cidade.
Silvânia Araujo, professora de economia do UNI-BH, diz que é possível: Uma vez que o comércio é uma atividade alocacional, que exige baixo investimento inicial, e os números comprovam que mais de 99% das empresas do setor comercial são micro e pequenas empresas, mas que são grandes empregadoras. Políticas que beneficiem o setor são necessárias para a sobrevivência dessas pequenas empresas, além da educação empresarial, e do conhecimento dos processos gerenciais que envolvem o negócio.

Nota do JD:
Investir no fortalecimento do comércio e no associativismo é a única saída. Políticas públicas podem ajudar a facilitar a vida de empresários e consumidores, contribuindo para transformar vendas em negócios atrativos, despertando maior interesse do público consumidor. Por outro lado os comerciantes devem procurar aguçar esse interesse oferecendo promoções variadas. Uma loja bem decorada e com atrativos para datas especiais, como o dia dos pais, das mães, das crianças, natal, etc também são bem vindos. Essa é uma excelente receita para os comerciantes de cidades consideradas pequenas sobressaírem. Ter criatividade para atrair é a fórmula para o sucesso. A economia cresce, o lucro da loja aumenta, o comércio local se fortalece e as pessoas voltam a comprar em sua própria cidade, com comodidade e economia.