Crônica do bem comum

Sonhei que estava sendo perseguido. Ufa!

Sei não. Já ouvi falar em cidade fantasma, cidade dos mortos vivos, cidade das sombras, etc. Ainda não ouvi falar em cidade dos dissimulados, você já ouviu? Sei que é um misto de cidade fantasma, com mortos vivos e sombras. Muitas sombras. Daquelas que dão calafrios e fazem tremer as pernas. Em uma cidade assim deve existir uma colina chamada Morro dos Ventos Uivantes. Morada de chacais e lobos em pele de cordeiro. Terá com certeza umas frondosas árvores típicas das Florestas Negras e dos Pântanos enfumaçados, abrigos de duendes e seres mitológicos de meter medo. Lá nesta cidade também, acredito que habitem Mulas sem cabeças, Sacis e Caiporas. Cruz credo! Fiquei sabendo que o próprio Papa Francisco recebeu um ofício para que fosse abençoar uma dessas, mas Sua Santidade respondeu – Vade retro Satanás, esconjuro. Lá não vou nem mortinho da silva. É estranho, cidades assim podem ter uma população imensa, mas por causa de meia dúzia de monstrengos, acabam levando a fama. Esta é uma crônica, que poderia ser considerada do absurdo também. São ilações e cheia de licenças poéticas e nada tem a ver com personagens da vida real ou se tiver, será mera coincidência – eu juro. Então caros leitores, então escutem essa - um dia sonhei que estava numa dessas cidades e estava sendo perseguido por figuras similares à Quasimodos e eu chorava em torrentes. De meus olhos pululavam lágrimas incontidas, que vertidas em profusão me encharcavam até a alma. Meu coração disparado atingia mais de 260 bpm e eu gritava loucamente: socorro meu coração quer sair pela boca. Às vezes chegava mesmo a sair, mas preso a artérias, voltava ao seu lugar de origem em pouco tempo. Na verdade não era um sonho e sim um baita pesadelo. Você já teve um desses? Alguém te persegue e você não consegue sair do lugar. Mas a perseguição implacável insistia em continuar. Corri tanto que me vi diante de um imenso abismo, assim mesmo, quase redundante, tanto quanto redundante é ser perseguido naquela terra de mortos vivos. O pior é que você fere de morte aquelas figuras, só que elas insistem em continuar vivas. Em meio ao impasse pensei - creio que haja uma estaca de prata ou um punhado de sal que sirva para exterminar estes dissimulados. Olhava para todo lado, mas não achava nada que pudesse me ajudar a sair daquele martírio. Por um momento pensei – por que estou sendo perseguido, será pela minha independência? Será pelas minhas opiniões? Ou será pelo meu atrevimento? Confesso que ainda não consegui entender, mas estou caminhando para obter a resposta. Acho que vou voltar a dormir e tentar chamar aquele sonho de novo. Quem sabe assim eu consiga descobrir. Fica uma sensação estranha, mas estar numa cidade entre um pouco de cada coisa insólita e descabida favorece este tipo de coisa. Perseguição: Vou olhar no livro dos sonhos para saber o significado, mas uma coisa eu já consegui entender, tem a ver com acossar, persecução, caça, importunação, prejudicar, etc. Vou voltar a sonhar e depois volto a falar com vocês, ok!
 

Sei tudo aquilo que nunca saberei

Não sei o que falar... Não sei o que pensar... Não sei o que escrever. Nada sei dessa vida, vivo sem saber, nunca soube, nada saberei, sigo sem saber... Que lugar me pertence que eu possa abandonar. Que lugar me contém que possa me parar... Sou errado, sou errante. Sempre na estrada. Sempre distante. Vou errando... Enquanto o tempo me deixar. Errando, enquanto o tempo me deixar... Lembrei-me destes versos da Música “Nada Sei” do Kid Abelha ao começar a escrever estas mal traçadas linha. Servem para alguma coisa? Garanto que não sei! Inspiram uma mudança? Confesso que não sei! Só sei que o mundo gira como uma bola e para como um quadrado paralelepípedo. Tudo na vida de cada um de nós é relativo. Assim como é relativo tudo o que pensamos, o que fazemos e o que transgredimos. Está confuso, meu irmão? Então toma uma gelada ou um xarope de melagrião e depois vá dormir. Sonhe com um mundo novo, cheio de heróis com capa e espada. Sonhe com as conquistas que um dia você teve, mas foram efêmeras. Sonhe com as tolices e com os arroubos de juventude. Áureos tempos, belos embates, mas todos efêmeros e inócuos. Pura crendice de que estávamos com a razão. Argumentos e mais argumentos, argumentamos... Falar e não ouvir. Um tremendo samba de uma nota só. Um grande teatro de monólogos e bastante entediante. Uma só voz, a bradar no deserto. Uma sensação de que nada sei e nunca saberei. Se você sabe mais do que eu, parabéns, você é um João Ninguém e eu, um Zé Ninguém. Somos todos pó, e ao pó voltaremos, para sermos aspirados pelo grande Aspirador Universal. Eu sei que você está me entendendo, não é mesmo? Você é inteligente como o grandissíssimo Rei Nú, daquela estória sonsa do fingidor do eu sei, do eu vejo. Somos tal e qual acreditamos ser e nas convenções e nas mentiras que habitam as profundezas do nosso ser. Cavalgamos pelas pradarias em busca de aventuras e do vento para acariciar nossa tez. Olha só que bonito. Que encantador. Palavras em profusão, mas tudo em vão, todas passam deixando um vácuo imenso no centro do coração. Nada criamos, nada acrescentamos, nada transformamos, nem mesmo a nós mesmos. Ao olharmos para trás, nos deparamos com um passado longínquo e perdido na imensidão do nosso vazio. Não quero vaticinar nem arrazoar, quero apenas ter um milhão de amigos e bem mais forte poder gritar. Mas pensando bem, quero crer que como dito no poema de Carlos Drummond de Andrade - Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Quero a vida seja um pouco diferente daquilo que sei, ou será que nada sei?  No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho e  trupiquei nela, nunca me esquecerei desse acontecimento. E você já trupicou e esqueceu?
 

Tudo ou nada!

De que vivemos nós, os seres humanos? Palavras, ações, perspectivas, esperança ou será do ar que respiramos? Não sei dizer, você saberia? Já ouvimos falar que a Bíblia traz ensinamentos sobre isto. Foram tantos os sinais que recebemos através de Adão, Caim e Abel, Noé, Jacó, Davi, O Rei Salomão, José, João Batista e do maior de todos, Jesus que se não aprendemos ainda, não aprenderemos mais. O Ser Humano é incansável em sua teimosia, além de prepotente, bobalhão e orgulhoso, se coloca sempre à beira do abismo. Outros adjetivos ainda caberiam nesta história - o Babaca, o Impertinente, o Cafajeste e tantos mais. Dizem que o Ser Humano se tornou embrutecido com o passar do tempo. Eu achava que o tempo fosse bom e nos tornasse melhores, ledo engano. Será por quê? Guerras, genocídios, intolerância, belicosidade e mentiras, tem sido nossa cartilha. Não adiantaram as lições nem as imolações de Gandhi, Luter King, Dalai Lama, Desmond Tutu, Dom Helder Câmara, São Francisco de Assis, Chico Xavier e tantos outros. Continuamos assim – belicosos e destruidores. Vejam agora, as manifestações, espontâneas, juvenis e bonitas que brotaram das ruas por passagens mais baratas. Muitos embarcaram neste navio, alguns somente para furá-lo e deixá-lo a deriva. É assim que enxergamos o Ser Humano - sentimento desagregador e intolerante. Marginais de todos os matizes se escudam atrás de Leis esdrúxulas e vândalos implacáveis tentam abafar o sonho de idealistas benfazejos. Mostraram sua cara, ou melhor, a esconderam, atrás de lenços e capuzes. Saquearam, agrediram, ameaçaram, mas um dia, serão expurgados, escorraçados, espezinhados e alijados da convivência com os bons. Pensemos somente nos bons, caros leitores e seremos felizes para sempre, pois alcançaremos o Nirvana e o lado direito do Papai do Céu. Persistência e obstinação é o que esperamos dos que protestam por uma boa causa. Temos orgulho desses que foram à luta e ajudaram a despertar o gigante adormecido chamado: MOBILIZAÇÃO.
 

Prendam-nos se forem capazes!

Lagoa Santa é uma terra cheia de incógnitas. Anunciam-se oportunidades, grandes obras, pólos industriais, alças, contornos, avenidas, Shoppings, hotéis e Cia limitada, mas é preciso lupa para encontrar tais empreendimentos em construção. O Aeroporto Indústria pavimentou a MG 10, a ampliação de Avenidas em B.Hte, construção de túneis e viadutos e muito mais. Por aqui, ao contrário, o comércio morre à míngua, agoniza e estrebucha na sarjeta. Ainda por aqui, construtoras, escapam e com raras exceções, apresentam loteamentos e condomínios, mas também não passa disso. Imobiliárias locais, apesar de competentes, não têm vingado - fecham e se fundem. Vivemos épocas de vacas magras e tristezas. Ouvimos o ranger de dentes e vivemos o Inferno de Dante. Como pode uma cidade tão próxima à capital dos mineiros, agonizar assim? Será praga de Tatús e Preguiças gigantes? A história e a Pré-história, apesar de pujante, não prosperam e não vimos um único centavo sequer, migrarem aos cofres públicos e privados. Uma negação! Uma falta de visão empreendedora que desencanta munícipes boquiabertos e atordoados. Temos Gruta maravilhosa, Parque com paredões calcários de renome internacional, lagoas Cársticas, Pinturas Rupestres, A Raça de Lagoa Santa com seu ícone Luzia, etc e tal e mesmo assim – zero a esquerda. Tudo isso, caro leitor, porque “a gente somos inútil”. Não vingamos nem lá, nem cá. Nem o presente, nem o futuro e muito menos o passado bastarão para nos salvar, muito menos o Chapolin Colorado. São só histórias para inglês ver. Analisem bem, o que vou dizer: Um dia, bem recente, beirando à prepotência, uma funcionária do turismo local, me disse: “Fique tranqüilo, nós sabemos o que fazemos”. Grande resposta! Grande sapiência! Inútil vã filosofia! Inútil e tola basófia! É sempre assim, falam pelos cotovelos, se arvoram em profundos conhecedores, mas resultados, que são bons - Necas de catibiriba! Ah! O ser humano! Aqui neste caso também, Ser Humano e servidor público. Valha-nos Deus! Talvez por isso não consigamos caminhar. Faltam humildade e mingau de Araruta. Esta é a cidade do eterno ”terá”, do eterno “faremos”, do eterno faz de contas e até por causa disso, do eterno retrocesso. Porque não caminhamos? Porque não podemos ser felizes? Porque somos impedidos de ter esperança? Tudo é sempre para depois ou tudo é empolado como: Fique tranqüilo, pois vai acontecer. Sou incréu querido leitor, como você! Se for para ser sempre assim, então que assumamos ser os verdadeiros culpados de tudo. Das mazelas, das inverdades, das injustiças, dos engodos e tal. Assim ficará melhor e poderemos exigir nossa condenação junto STF – 30 anos quebrando pedras, sem banho de sol, somente comendo uma refeição por dia para não onerar o cidadão de bem. Não pleitearemos redução de pena, pois somos culpados. Nada de embargos infringentes. Inclusive até a nossa terceira geração, deverá pagar pelos nossos erros. Não acham justo? Devemos pagar, por um dia termos acreditado em promessas vãs e nas falácias do baixo e do alto Clero. Será que alguém ai tem o e-mail do Joaquim Barbosa?
 

A Paz que Esperamos

Era uma vez uma cidade localizada bem no interior de Minas Gerais que ficava a apenas 45km de distancia da Capital. Esta cidade era conhecida como Lagoa Santa, terra de gigantes e de muitas histórias e estórias. Algumas delas verossímeis, outras, nem tanto. Só para que você saiba - dizem alguns estudiosos e historiadores que existe uma igreja subaquática enterrada na lama da lagoa central. Gente da mais alta qualificação com mestrado e tudo. Eu penso que é preciso trazer um sonar “igrejístico” para comprovar esta sacrossanta afirmativa. Por outro lado existem aqueles cuja alcunha “preguiçoso”, exprime uma baita preguiça laboral, talvez gigantesca sim. Segundo as más línguas, descendentes da Preguiça Gigante lá do fim da Era do Gelo. Que maldade! Não é nada disto. Puro eufemismo de aristocratas e iconoclastas. Aqueles que vieram ao mundo para destruir singelas verdades. Mas vamos lá, ainda, sobre a cidade, talvez um pouco esquizofrênica ou quem sabe, depauperada ao extremo. Mitos ainda persistem por aqui e pessoas consideradas míticas também. Com a evolução das coisas esperávamos que eras modernistas e alvissareiras se instalassem nestas plagas. Não é o que parece acontecer. Em terras de Preguiças e Tatuzões o que não faltam, são buracos no asfalto e na alma dos munícipes. Guerras púnicas – olha eu de novo; ou fratricidas e dispensáveis persistem. A política, penso eu, enquanto viverem certos protagonistas, sem chance de armistício e paz perene. Egos e vendetas não se alijarão destas paragens. Rancores e rangeres de dentes se farão sentir a léguas submarinas. O naufrágio do Titanic ainda não aconteceu por aqui. O barcão está à deriva, mas insiste em flutuar. Cidade estranha esta! Não abriga a concórdia, muito menos a fraternidade. Tantos figurões digladiam em nome de passado que não interessa mais. Tantos figurões, nem mais estampam medalhas e mantos culturais. A mediocridade impera e faz estragos. A falta de tirocínio é brutal. E o que acontece, cizânias, disputas, escaramuças se tornaram pessoais e nefastas ao cidadão comum. Queremos paz, mesmo que aparente. Queremos ações saudáveis e promissoras. Queremos e necessitamos desesperadamente de atitudes de homens honrados e benignos. Queremos a prosperidade e não a calúnia e confrontos. Não nos interessam acusações e blasfêmias. O nosso mundo precisa ser refundado. Queremos que nossa cidade ressurja das cinzas. Queremos que Lagoa Santa volte do interior e se reinstale próximo da Capital que é o lugar de onde ela nunca deveria ter saído. Não queremos prepotência nem arrogância. Queremos paz. Queremos que nos façam bem! Que nos dêem esperança e a certeza de estarmos em um bom lugar para se viver.
 

Aos Bons de Espírito

Era uma vez uma cidade enigmática, incrustada em solo repleto de flores do cerrado e sobreposta a sumidouros inescrutáveis. Repleta de nuances subterrâneas profundas e abissais. Para uns, tratava-se de cidade dividida em castas condominiais, para outros, somente o derradeiro descanso do guerreiro e para a maioria, berço e sepultura. Esta cidade dividida ficava próxima a uma capital outrora horizontina, parte integrante de uma metrópole ainda em expansão, neófita, quase pura e casta. Nunca chegou a ostentar a alcunha: “o feudo” – grande extensão de terra concedida por um nobre a um vassalo em troca de fidelidade, prestação de serviços e tributos e sobre a qual senhor exercia poder absoluto... Mas serviu a vários senhores e chafurdou na lama e ainda hoje reluta emergir a tempos novos e alvissareiros, livre das amarras do servilismo.
Noutros tempos, recebeu dadivosas referências e heranças dos pioneiros de antão – da Raça de Lagoa Santa ou de ontem – Felipe Rodrigues e Doutor Lund ou de agora... Gente sem rosto e enigmática. Assistiu impávida, num presente muito próximo, a contendas e guerra pudicas ou seriam púnicas? Não sei responder, mas todos sabemos o quão infelizes, destemperadas e inconseqüentes são as guerras. Se pudicas haveriam de ter sido, da modéstia da discrição, do recato e do Bem Comum. Se púnicas, feriram de morte. Infligindo desencanto em uma população inteira, como açoite aplicado por traidores e desleais. Me vi desnudo, diante de tantos artifícios e artimanhas. Me vi apoplético, diante de tantos prosélitos arrogantes e infundados, ardilosos e sagazes, matizes desfocados de uma paz aparente. Quem dera fossem matizes de um Van Gogh ou de um nosso - Mário Mariano.
Nesta terra aspiramos aportar em busca de aconchego e paz de espírito, mas encontramos tantos belicosos e discricionários. Era sim, uma terra de donatários inexpugnáveis e solertes. Daqueles que nunca chegarão a anjos e arcanjos, nem nunca comungarão!  E para não dizer que não falei de flores, vi ao longe, Calliandras, flores do cerrado embelezando o cenário. Vi ímpares entre brumas. Vi figuras impolutas e benfazejas. Vi a esperança entre espinhos. Vi personagens e personalidades que remetem á esperança dos dias melhores.
Aqui deixo caros leitores, consignado, os nomes daqueles que já me encantaram através das janelas e dos pórticos marmóreos dos pavilhões gregos e a quem presto a homenagem justa aos bons de espírito e os cito nestas parcas linhas despretensiosas como bons de Espírito na moldura das janelas abertas, “florecidas” de Caliandras: Ângelo Couto, Carlos Alberto Mello, Lizza Bethônico, senhor Mítuo “O Pescador”, Sandra Issida “No Frontiers”, Patrícia Matozinhos “Salute” e os que percebo, me encantarão ainda: Fabiano Moreira da Saúde, Juninho Fagundes o Vereador entre alguns outros que muito em breve citarei. Crônicas, caros amigos, servem para retratar momentos. Principalmente os agradáveis e auspiciosos. Portanto, aqui deixo a vocês, tal qual janela aberta emoldurada de Caliandras imprimindo a beleza de uma paisagem indescritível o que vi e senti.

 

Esporas Prateadas (última parte)

Após atravessar o deserto de Oklahoma em meu pequeno pônei e de fazer uma parada estratégica em Kansas City, penso em meu destino final – um lugarejo inóspito e perdido no fim do mundo, denominado Três Cruces. Lá está o Bando de Tião Gavião. Facínoras impiedosos,  escabrosos e escatológicos. Matadores de aluguel por meia pataca ou por um punhado de dólares. Gente da pior espécie – a escória do mundo infantil e juvenil. Vilões psicóticos e psicopatas, como a Maga Patológica ou será Patalógica? Neste momento, isso é o que menos importa, pois estou a caminho do meu destino, da minha sina e não posso olhar para trás. Começo a pensar em minha vida pregressa e me vejo, desassombrado e pueril. Nunca abandonei uma missão, a não ser aquela do duelo em Gothan City, pois tenho medo de morcegos, baratas e piolhos.
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Esporas Prateadas (parte IV)

Vejam só caros leitores estou contando parte da história da minha vida a vocês, quando era um justiceiro consagrado lá pelas bandas do Velho Oeste. Comecei contando que me dirigia à cidade de Três Cruces atrás do bando do sanguinolento Tião Gavião. Aqueles facínoras sanguinolentos que tanto me repugnavam. Eu me dirigia a Três Cruzes para acabar com a raça daquela gente covarde que insistia em fazer maldades nas histórias em quadrinho há muitas gerações. Cavalgava em meu Pequeno Pônei, fiel companheiro de todas as horas. Inúmeras conversas tivemos; desabafos de uma vida inteira. Confidentes inseparáveis e leais. Agora estava em Kansas City, bem próximo de meu destino final. Sabia que não seria fácil o embate, mas lutaria até a morte. Tinha meus revólveres Colts 49 e meio, duas preciosidades com cabo de madrepérola, metidos em belíssimo coldre Louis Vuiton. Cada tambor abrigava 150 projéteis calibradíssimos de balas “Dum Dum”, feitas sob medida para mim – O mais rápido de todos os tempos. Fiquei conhecido assim pela minha rapidez com o copo de cerveja e com minha quase imperceptível ejaculação precoce. Nada que você que acaba de rir não tenha também, não é mesmo? Meus amigos Pepe Legal e o indefectível Dom Pixote acabavam de chegar. Sabia disso, pois ouvia ao longe a música “Oh querida, Oh querida Clementina...” e a fala do Pepe Legal: “E não se esqueça disso Babalú”. Sentia que não estava sozinho, me sentia cada vez mais seguro. Olho Vivo e Faro Fino também acabavam de chegar, Bibo Pai e Bob filho, também. Que maravilha poder contar com figuras paladinas e insofismáveis. Confesso a vocês que quando  ao entrar no Sallon BY Zezé e dar de cara com Zéphdir-Seu, Paul Maluft, Bóllor de Mella, Rose Coronha e tantos outros cruéis, comecei a tremer nas bases. Até aquela incontinência urinária passageira tive que enfrentar. Logo após vejo aqueles vultos no compartimento contíguo jogando porrinha e dividindo uma garrafa de aguardente e combinando como dominariam o mundo. Eram o temível “nove Dedos” e a implacável Búlgara Zilma Roskoff. Aí caros leitores, vi a coisa começar a engrossar e logo senti um bafejo em minha nuca e ao me virar dou de cara com um daqueles guarda-roupas de terno pretos e óculos escuros que faziam a segurança daqueles salafrários. Pensei novamente em Três Cruces, meu destino final. Lá estava o bando do Tião Gavião, iniciantes em comparação aos que estavam naquele Sallon. Estavam reunidos numa Convenção intitulada “ Seminário dos Aloprados – O retorno”. Imbatível essa gente, Nicolau Blau Blau, Jorgina de Bretas e Cia limitada. Eu já estava meio grogue, pois perdi a conta de drinks duplos e triplos que havia tomado até aquele momento. Quando penso que me recuperarei, dou de cara com o Dragão da Inflação, aquele aterrador espanta nenenzinho. Sua boca enorme exibia dentes afiadíssimos e o olhar indiferente acusava desprezo e crueldade. Estamos fritos mais uma vez. Botaram a mão em nossos bolsos e surrupiaram nossos últimos vinténs. Tinha muitos professores: Mazzaropi, Macunaíma, El Chavito, mas sentia que não bastaria ter aprendido com tanta gente boa. Até eu mesmo, me peguei brindando ao Dragão. Aquilo caro leitor, foi instintivo e não retrata minhas convicções, pois sou duro na queda e não transijo com o que é certo. Para finalizar esta parte da  história da minha vida peço desculpas pela sinceridade quando disse que fiz xixi nas calças algumas vezes desde o início desta narrativa, na verdade para ser totalmente sincero, me borrei também. Mas vocês hão de entender que somos todos humanos e que atire a primeira pedra, aquele que nunca se borrou também. Preciso encerrar por hoje, estou exausto e perplexo com a última cena que vi na parte III desta história. Lembram-se quando disse que aqueles dois, o Nove dedos e a Búlgara Roskoff tramavam usurpar o trono de Pedro somente para usarem a cerimônia do Beija-mão. Deu biziu e o Papa é Argentino e agora Deus deixou de ser brasileiro. E isso você vai ver na última parte desta verdadeira história.
(Continua)

 

Esporas Prateadas (parte III)

Naquele momento uma monstruosa figura burlesca e sanguinolenta acabara de irrompe sallon adentro. Andava desengonçado e tinha cara de poucos amigos. Exibia o corpo macilento e ao mesmo tempo aterrador, parecido a um quasímodo. Sua boca enorme exibia dentes afiados que mais pareciam adagas incandescentes. O olhar indiferente acusava desprezo e crueldade. Depois daqueles aplausos, ouve-se no sallon em uníssono, um grandiloquente - Ohhh. Mais uma vez senti aquele líquido urético escorrer pelas minhas pernas. Ensopava novamente minha calça Lewis e Lee. Pois apesar de valente, me sentia pequeno e impotente diante daquele poder constituído, intitulado Republiqueta das Bananas. Naquele momento divaguei e por um instante viajei através das brumas Joplinianas dos meus tempos de sonhador mequetrefe. Senti as agruras das psicodelias Woodstokianas brotarem novamente em meu cérebro – que fervilhava, clamando o chá calmante com poderes lisérgicos e libertadores. Voltando à realidade percebi definitivamente que minhas botas de couro de burro fugido também estavam encharcadas e a cada passo faziam aquele característico som onomatopéico: Slapch, slapch. Inconscientemente andava de um lado a outro do Sallon By Zezé, tentando disfarçar a poça de uréia que teimava em denunciar aos presentes, aquela incontinência urinária fora de hora e de propósito. Logo eu! O paladino do Oeste, o baluarte dos “sem medo”, o destemido de lãs Missiones impossibles. Não poderia permitir que me chamassem de mariquinhas. Meu nome se tornara lenda no Velho Oeste. Os guris cantavam minhas façanhas em verso e prosa. Minhas aventuras idílicas e etílicas eram insuperáveis. E eu, ali, molhado, tentando esconder e disfarçar meus sentimentos mais profundos e ocultos. Sentimentos estes que não poderiam de forma alguma, transparecer, denunciadores de medos e sobressaltos. Tinha me tornado o típico herói americano, como meus predecessores: Mazzaropi, Jeca Tatu, Emiliano Zapata, Macunaíma, Ringo Star, John Weissmuller, José Martí, O Cucaracha, El Maricon, Los doble Castros d’Cuba, El Mariachi, El Chavito entre tantos outros que deixaram saudades. Abajo de La frontera Del Ecuador e arriba del Marco zero, era reverenciado por donzelas que prometiam esperar-me castas e virgens para seus primeiros encontros amorosos. Sim, era eu - um hombre de suerte como dizem lá por aquelas bandas. Após andar desorientado de um lado a outro nas dependências do Sallon By Zezé tentando expurgar o líquido que havia escorrido pelas minhas pernas implorei ao Barmam uma dose tripla daquele Bourbon legítimo, exclusividade da casa, oriundo das águas cristalinas da Escócia e da Irlanda do Norte segundo a dona do bordel/sallon.  Empertiguei-me e em pose altiva, como característica a um Ex-Marshall, gritei levando o copo ao alto: Salve o visitante ilustre que acaba de chegar – Seja bem vindo Sr. Dragão Inflacionário. Todos seguiram meu gesto e responderam a uma só voz: Tim, Tim, Mestre Dragão. Então era isso, uma reunião de aloprados e bestas feras. Estariam todos lá, ou será que ainda faltava alguém?  Solerte, me dispus a continuar espreitando aquelas figuras. Olho para o compartimento contíguo, onde mirei minutos antes aqueles vultos de um nordestino ex-barbudo e daquela figura impávida e colossal da búlgara Zilma Roskoff e tento entender o que falam. Procurei me aproximar com cuidado, pé ante pé, mantendo certa distância, pois o número de seguranças era enorme, mas ouvi algo que me espantou enormemente. Tramavam aqueles dois no compartimento contíguo, quem sucederia o Papa Bento XVI, conhecido também como: Carola Boitila. Ai, pensei comigo - isso já é de mais. Aqueles dois discutiam quem seria o primeiro neste conclave  que se avizinha. O outro assumiria depois.  A grande verdade é que essa decisão estava sendo disputada na porrinha. Esse pessoal, além de pensar que é Deus, tramava usurpar o trono de São Pedro somente para  poder utilizar aquele magnífico anel de pescador e poder se intitular, Bento. Só que de bento eles não tinham nada. O propósito dessa trama, caro leitor incluía também dar uma incrementada nas reuniões conhecidas como: beija - mão. Os sequazes adorariam e os opositores, invejariam. Tudo se resumia à seguinte lógica: A Republiqueta das Bananas dava novo salto. Vem aí, o Bolsa: Pecado, Perdão e a Remissão de todos os Pecados. Preparem seus bolsos.
Continua...
 

Esporas Prateadas (Parte II)

Olhei de soslaio a fisionomia daquela gente curiosa e logo me apossou o sentimento de indiferença.  Já estava acostumado a lugares como este – um Prefeito gorducho e idiota, um Xerife modorrento e servil, um bêbado típico e bonachão e mais um tanto de gente desinteressante e medrosa. Também transitavam por cidades assim, banqueiros avaros, jogadores trapaceiros e um bando de arruaceiros. Mas o que me interessava naquele momento era um belo banho, uns tragos do mais fino scotch e as meninas que pudessem me embalar naquela noite.
    Entrei no Saloon by Zezé e senti aquele cheiro acre da perdição, homens barbudos e tropegos em algazarra, moças ávidas por quem lhes pagasse bebidas e por um belo programa de índio. O lugar estava cheio, animado e enfumaçado. Aquele cheiro me repugnava, tabaco, bebidas, suor de cowboys rudes e desajeitados e vícios e trapaças.
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