Censura? Não é possível! (Parte I)

Censura? Não é possível! (Parte I)


É estranho! Os seres humanos são mesmo muito complicados. Em muitos momentos, parecem cordatos, compassivos e até, magnânimos, em outros, nem tanto, chegam a flertar com o despotismo, demonstrando prepotência e arrogância, irmã xifópaga do desmando e do absolutismo, precursores do abuso do poder, das injustiças e da desfaçatez. Na última edição do JD – Jornal Diferente, publicamos com “exclusividade” matéria jornalística isenta e sem a emissão de nenhum juízo de valor ou opinião pessoal  acerca da Ação de Improbidade Administrativa impetrada pelo Ministério Público de Lagoa Santa contra os vereadores, pela utilização considerada indevida de suas verbas de gabinete. Incontinênti, dando a entender, discordância pela divulgação isenta e moderada da matéria jornalística em questão, parece-nos que fomos censurados (como se fossemos, nós os investigados) nas dependências daquela casa, até então conhecida como “Casa do Povo”, pressuposto de democracia, liberdade de expressão e defesa intransigente contra injustiças e iniquidades. Se, fomos censurados, o que nos recusamos a acreditar, fomos de forma descarada, não republicana e criminosa. Ato insano e desproporcional e, pasmem, dentro da instituição, que deveria zelar pela ordem e isonomia dos direitos cidadãos, resguardando a liberdade de expressão e o direito de imprensa. A seguir, nestas mal traçadas linhas, vou explicar o motivo da minha indignação e do chiste. Sabe aquela história do marido traído que ao voltar para casa encontra a mulher nos braços do outro no sofá? Pois bem, o que ele fez? Acertou quem disse: Botou a culpa no sofá e o vendeu!  Então! Vou alinhavar o que penso sobre esta possível história escabrosa, aqui neste espaço “pessoal”, onde dou minhas cronicadas quinzenalmente, sem misturar com o teor das matérias jornalísticas das outras páginas deste diferente jornal. Nada tenho contra o exercício da vereança ilibada, até porque, trabalhei e convivi em Belo Horizonte em priscas eras, é verdade, com inúmeros vereadores que considero colossais e, diga-se de passagem, momentos vividos, inesquecíveis, repletos de exemplos de urbanidade e porque não dizer, de sanidade. Cito com orgulho o nome de alguns desses convivas do bom e lauto banquete que privamos e que exerceram seus cargos com denodo, discernimento e espírito público verdadeiros: Dr. Helvécio Arantes, Dona Helena Greco, Dr. Cícero Ildefonso, Álvaro Antônio, Sérgio Ferrara, Geraldo Pereira Sobrinho, Caroninho,  Júnia Marize, Ziza Valadares, Obregon Gonçalves, João Pinto Ribeiro, Gerardo Renault, Rômulo Paes, Rui da Costa Val, Nílson Gontijo, Gil César e outros tantos baluartes da boa política da vereança. Garanto que suas biografias no exercício do cargo nunca foram maculadas por atitudes esdrúxulas e descabidas, pois em minha opinião a exerceram em sua plenitude e com total desprendimento, zelo e espírito público verdadeiros. Tenho grande respeito pelo exercício da edilidade que é de grande importância para o cidadão comum, pois resguarda a lisura das ações municipais executivas, assim como contribui para edificar uma sociedade mais justa e equânime, protegida por essas Leis que começam no próprio município. Aqui em Lagoa Santa, uma boa parte dos “agentes” políticos, tem demonstrado ao longo do tempo sofrer de “esquizofrenia política” – “Psicose caracterizada pela discordância entre o pensamento, a vida emocional e a relação com o mundo exterior” e, por isso, os divãs deveriam estar sempre ocupados por aqueles que sofrem dessa síndrome do politiqueiro agudo.  Mas vamos lá – De duas, uma, se a presidência da nossa casa legislativa pediu que nosso jornal com a tal matéria referida acima fosse retirado arbitrariamente da recepção da casa (Hall de Entrada) local este, onde sempre esteve ao lado de outras publicações do gênero, cometeu crime contra a Constituição Federal. Aliás, este fato ocorreu com as duas últimas edições do JD - Jornal Diferente, uma delas em nossa presença em horário de Reunião da Casa, numa terça-feira. Fico pensando, será que a matéria não teria agradado? Mas por que, se não acrescentamos uma vírgula sequer à matéria? Muito menos, fomos nós os propositores da ação? Uma ação de Improbidade senhores, é pública, portanto disponível - exatamente porque é pública? Será que teria faltado prudência e sobrado açodamento? É isso que gostaríamos de entender. E só para deixar bem claro, não cometemos nenhuma transgressão à lei! Portanto, vale à pena lembrar à autoridade legislativa o que segue: “I – Do Direito à Informação – Art. 5 A obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação e a aplicação de censura ou autocensura constituem delito contra a sociedade”. Se a alegação for a de que não houve solicitação nem autorização da Casa para o recolhimento dos exemplares do JD – Jornal Diferente, então o sofá legislativo deve ser vendido imediatamente, pois alguém pode estar passando por cima da autoridade máxima da nossa Casa do Povo e merece além de investigação, punição exemplar. Abaixo a Censura!