Hipocrisia – não quero uma pra viver! [Parte 02]

Hipocrisia – não quero uma pra viver! [Parte 02]


Pois é, acho que estou lascado! Fui falar do passado tenebroso e escurecido de tantos felizes jovens dos anos 1960 e 70 e quase fui às lágrimas. O número de leitores que se identificou com a parte I desta crônica foi pra mais de metro e avassalador. Teve gente que se lembrou dos tempos da Bonfim e da Paquequer, onde as tias viviam felizes e os sobrinhos deliravam, outros se lembraram das músicas que embalaram enamorados ou contestadores. Éramos de fato assim, sonhadores, utópicos e também desmiolados e aguerridos. Fizemos parte do momento transformador da vida moderna. Caras de pau que penetravam em festinhas e, com papo de aranha, conquistavam garotas doidivanas e espoletas. Um cara que não posso citar o nome, pois autoridade local e exemplar pai de família, me ligou à noite, depois de despejar umas na cachola e saudoso disse: “Ô cara, você não falou sobre o troca-troca” Disse ele que tem um amigo de infância que na hora de trocar, o outro menino saiu em disparada dizendo: Já vou mamãe! E... Pernas pra que te quero. O que achou que trocaria está esperando até hoje. Rimos a valer e a conversa desandou para – E o Locha, o Lunda, o Mário. Falamos ainda da masturbação juvenil que dava cabelo nas mãos e um punhado de espinhas brotoejas. Das revistinhas de sacanagem que nos influenciava a fazer “Bobice”.  Invocamos até, Dr. Smith do seriado Perdidos no Espaço e o indefectível robô B9 com seu inigualável alerta: Perigo! Perigo! Perigo! Não caros leitores, não estamos em direção ao Planeta Alpha Centauri não! Estamos aqui hoje, onde os alienígenas somos nós. Estranhos no ninho! Impotentes e abobalhados. Olha a hipocrisia aí gente! Você algum dia se sentiu perseguido? Assim como o Piu-Piu, correndo do Frajola? Já se sentiu o Manda-Chuva observado pelo Guarda Belo? O Bip-Bip? Ah! então você entende sobre o que estou falando e deve se solidarizar comigo. Somos os últimos dos Moicanos. Estóicos, heróicos, Helênicos, inquebrantáveis e imbatíveis, pois não somos deste mundo. Viemos do Túnel do Tempo, viajamos ao fundo do Mar e fizemos uma baita expedição à Terra de Gigantes. Somos os heróis da resistência e protegidos pelos poderes de Greiscow. Somos a hóstia da comunhão, o pneumático do ar e a canjica agarrada no dente. Somos o Busca pé, a Vovó Mafalda e a mosca na sopa. E aí, bebé, mamá na gata cê não quer, né! Você, como eu, somos a salvação da lavoura de pepinos. Nos recusamos a ser herdeiros de Judas e muito menos dos vendilhões do templo. Temos fé inabalável e não vivemos dela, nem fazemos dela nossa serviçal. Temos todo o poder do mundo e não abusamos dele. Somos políticos ao extremo e nunca locupletamos nem prevaricamos. Somos castos e, por isso, somos enganados sempre. Gente esperta nos espreita e primos-irmãos dos répteis esperam o bote para atacar. Lembra do sombra? Pois é! Aquele é nosso companheiro. Mas nas sombras das cidades de verdade, mortos vivos, habitam querendo nos assustar. Pasmem queridos leitores, pensei que jovens na política poderiam arejar nossas mentes e encher-nos de esperança, ledo engano! Os antigos são cancros contagiosos e tudo passa a ser como Dantes no quartel de Abrantes. Cenas dantescas nos esperam, aguardem e fiquem alertas. Perigo... Perigo... Perigo...