Somos descuidados, né!

Somos descuidados, né!


Semanas atrás, uma das estrelas do Partido Comunista Chinês chamado “Bo Xilai”, depois de ser acusado de corrupção, suborno e abuso de poder, disse a seguinte frase diante do tribunal: “Eu fui muito descuidado e era dinheiro público, NÉ!”. Pois bem caros leitores deste minifúndio improdutivo e infértil, data vênia, vou roubar esta frase e utilizá-la como se minha fosse, daqui para a frente. Outro dia ouvi também, não sei onde, outra frase, agora elevada à condição de slogan da mais alta supimpitude: “Bundão por bundão, vota nêu!”. O corolário de imbecilidades que graçam neste mundo brasilis é de envergonhar qualquer cidadão altivo, puro e casto, como eu. Agora, queridos amigos, escravos destas mal traçadas linhas, eu sei que irão me endeusar, pois vou falar umas verdades cabeludas e chinesísticas. Estou até vendo a cara de alguns de meus seguidores impávidos, ao ouvirem tal verdade. Vão me idolatrar ainda mais e genuflexos, implorarão a redenção de seus pecados, e eu, como representante legítimo do Papa Chico aqui em Lagoa Santa, com certeza darei a remissão a estes pecadores contumazes e atrozes. Já estou até vendo as carinhas de alguns de meus seguidores mais chegados, como o Dr. Paulo de Mendonça que certamente vai rir até fazer xixi fora do penico, do Rodrigo lá do Beer, que até troco errado poderá dar, do Ângelo Couto, que vai começar a plantar bananeiras no lugar do abacaxi endêmico Lagoasantensis??? Da Dra. Lizza que vai revirar os olhinhos e dar uma tremenda e sonora gargalhada, do Lima, com aquela cara rechonchuda e de tantos outros admiradores explícitos e os implícitos também. Então, vamos lá, começarei citando poetas insignes e notáveis. Primeiro parodio Gonçalves Dias como em sua Canção do Exílio: “Povo da Minha terra, onde cantam os sabias, as aves que aqui gorjeiam, são tão descuidadas quanto as de lá.”. E agora, Olavo Bilac: “Ora direis ouvir estrelas! Certo perdeste o senso e eu vos direi, no entanto, que, para ouvi-las muita vez desperto e abro as janelas, pálido de espanto... Estou pálido de espanto, sim! Os discursos políticos, estão falidos e sabe de quem é a culpa? Do PT, do Lula, da Dilma e sabe porquê, por que eles pegaram um negócio pequenininho e o tornaram indecoroso, grandão, no bom sentido é claro viu, seus maldosos e cheios de maldade. Estou falando do mensalão e de tantas outras patacoadas mais. Ninguém sabe, ninguém viu! É o que dizem, mas eu sei de tudo, eu estava lá quando tudo começou, alías, você também estava lá, é cúmplice e faz parte da camarilha. Triste sina a nossa, que precisaremos esperar uma nova geração, para empreender a mudança, mas fiquei sabendo que ela é bissexta, extemporânea e demorada. Fui enganado e ferido de morte. Cansei de esperar, não quero mais abrir meu coração, pois está dilacerado e encavucado. Não pensem que tenho pendor para canastrão, mas estou desnudo e sem esperança. Fui enganado, ai, ai, ai! Não existe esperança, pois esta, também pereceu e jaz inerte e incólume , nos quintos do inferno de Dante. Sinto a dor profunda da adaga a singrar meu peito romântico e rasgá-lo de fora a fora. Pensei ser um dos últimos moicanos, estóico, bravíssimo e Helênico, assim como você. Lêdo engano. Você e eu, somos unha e carne, sangue e paixão, drama e comédia. Só tem uma coisa que esquecemos de fazer – esquecemos de cair, pois mortos já estamos faz tempo e eu pergunto: Quem irá rezar a missa de sétimo dia?