Sei tudo aquilo que nunca saberei

Sei tudo aquilo que nunca saberei


Não sei o que falar... Não sei o que pensar... Não sei o que escrever. Nada sei dessa vida, vivo sem saber, nunca soube, nada saberei, sigo sem saber... Que lugar me pertence que eu possa abandonar. Que lugar me contém que possa me parar... Sou errado, sou errante. Sempre na estrada. Sempre distante. Vou errando... Enquanto o tempo me deixar. Errando, enquanto o tempo me deixar... Lembrei-me destes versos da Música “Nada Sei” do Kid Abelha ao começar a escrever estas mal traçadas linha. Servem para alguma coisa? Garanto que não sei! Inspiram uma mudança? Confesso que não sei! Só sei que o mundo gira como uma bola e para como um quadrado paralelepípedo. Tudo na vida de cada um de nós é relativo. Assim como é relativo tudo o que pensamos, o que fazemos e o que transgredimos. Está confuso, meu irmão? Então toma uma gelada ou um xarope de melagrião e depois vá dormir. Sonhe com um mundo novo, cheio de heróis com capa e espada. Sonhe com as conquistas que um dia você teve, mas foram efêmeras. Sonhe com as tolices e com os arroubos de juventude. Áureos tempos, belos embates, mas todos efêmeros e inócuos. Pura crendice de que estávamos com a razão. Argumentos e mais argumentos, argumentamos... Falar e não ouvir. Um tremendo samba de uma nota só. Um grande teatro de monólogos e bastante entediante. Uma só voz, a bradar no deserto. Uma sensação de que nada sei e nunca saberei. Se você sabe mais do que eu, parabéns, você é um João Ninguém e eu, um Zé Ninguém. Somos todos pó, e ao pó voltaremos, para sermos aspirados pelo grande Aspirador Universal. Eu sei que você está me entendendo, não é mesmo? Você é inteligente como o grandissíssimo Rei Nú, daquela estória sonsa do fingidor do eu sei, do eu vejo. Somos tal e qual acreditamos ser e nas convenções e nas mentiras que habitam as profundezas do nosso ser. Cavalgamos pelas pradarias em busca de aventuras e do vento para acariciar nossa tez. Olha só que bonito. Que encantador. Palavras em profusão, mas tudo em vão, todas passam deixando um vácuo imenso no centro do coração. Nada criamos, nada acrescentamos, nada transformamos, nem mesmo a nós mesmos. Ao olharmos para trás, nos deparamos com um passado longínquo e perdido na imensidão do nosso vazio. Não quero vaticinar nem arrazoar, quero apenas ter um milhão de amigos e bem mais forte poder gritar. Mas pensando bem, quero crer que como dito no poema de Carlos Drummond de Andrade - Morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Quero a vida seja um pouco diferente daquilo que sei, ou será que nada sei?  No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho e  trupiquei nela, nunca me esquecerei desse acontecimento. E você já trupicou e esqueceu?