Aos Bons de Espírito

Aos Bons de Espírito


Era uma vez uma cidade enigmática, incrustada em solo repleto de flores do cerrado e sobreposta a sumidouros inescrutáveis. Repleta de nuances subterrâneas profundas e abissais. Para uns, tratava-se de cidade dividida em castas condominiais, para outros, somente o derradeiro descanso do guerreiro e para a maioria, berço e sepultura. Esta cidade dividida ficava próxima a uma capital outrora horizontina, parte integrante de uma metrópole ainda em expansão, neófita, quase pura e casta. Nunca chegou a ostentar a alcunha: “o feudo” – grande extensão de terra concedida por um nobre a um vassalo em troca de fidelidade, prestação de serviços e tributos e sobre a qual senhor exercia poder absoluto... Mas serviu a vários senhores e chafurdou na lama e ainda hoje reluta emergir a tempos novos e alvissareiros, livre das amarras do servilismo.
Noutros tempos, recebeu dadivosas referências e heranças dos pioneiros de antão – da Raça de Lagoa Santa ou de ontem – Felipe Rodrigues e Doutor Lund ou de agora... Gente sem rosto e enigmática. Assistiu impávida, num presente muito próximo, a contendas e guerra pudicas ou seriam púnicas? Não sei responder, mas todos sabemos o quão infelizes, destemperadas e inconseqüentes são as guerras. Se pudicas haveriam de ter sido, da modéstia da discrição, do recato e do Bem Comum. Se púnicas, feriram de morte. Infligindo desencanto em uma população inteira, como açoite aplicado por traidores e desleais. Me vi desnudo, diante de tantos artifícios e artimanhas. Me vi apoplético, diante de tantos prosélitos arrogantes e infundados, ardilosos e sagazes, matizes desfocados de uma paz aparente. Quem dera fossem matizes de um Van Gogh ou de um nosso - Mário Mariano.
Nesta terra aspiramos aportar em busca de aconchego e paz de espírito, mas encontramos tantos belicosos e discricionários. Era sim, uma terra de donatários inexpugnáveis e solertes. Daqueles que nunca chegarão a anjos e arcanjos, nem nunca comungarão!  E para não dizer que não falei de flores, vi ao longe, Calliandras, flores do cerrado embelezando o cenário. Vi ímpares entre brumas. Vi figuras impolutas e benfazejas. Vi a esperança entre espinhos. Vi personagens e personalidades que remetem á esperança dos dias melhores.
Aqui deixo caros leitores, consignado, os nomes daqueles que já me encantaram através das janelas e dos pórticos marmóreos dos pavilhões gregos e a quem presto a homenagem justa aos bons de espírito e os cito nestas parcas linhas despretensiosas como bons de Espírito na moldura das janelas abertas, “florecidas” de Caliandras: Ângelo Couto, Carlos Alberto Mello, Lizza Bethônico, senhor Mítuo “O Pescador”, Sandra Issida “No Frontiers”, Patrícia Matozinhos “Salute” e os que percebo, me encantarão ainda: Fabiano Moreira da Saúde, Juninho Fagundes o Vereador entre alguns outros que muito em breve citarei. Crônicas, caros amigos, servem para retratar momentos. Principalmente os agradáveis e auspiciosos. Portanto, aqui deixo a vocês, tal qual janela aberta emoldurada de Caliandras imprimindo a beleza de uma paisagem indescritível o que vi e senti.