Esporas Prateadas (parte III)

Esporas Prateadas (parte III)


Naquele momento uma monstruosa figura burlesca e sanguinolenta acabara de irrompe sallon adentro. Andava desengonçado e tinha cara de poucos amigos. Exibia o corpo macilento e ao mesmo tempo aterrador, parecido a um quasímodo. Sua boca enorme exibia dentes afiados que mais pareciam adagas incandescentes. O olhar indiferente acusava desprezo e crueldade. Depois daqueles aplausos, ouve-se no sallon em uníssono, um grandiloquente - Ohhh. Mais uma vez senti aquele líquido urético escorrer pelas minhas pernas. Ensopava novamente minha calça Lewis e Lee. Pois apesar de valente, me sentia pequeno e impotente diante daquele poder constituído, intitulado Republiqueta das Bananas. Naquele momento divaguei e por um instante viajei através das brumas Joplinianas dos meus tempos de sonhador mequetrefe. Senti as agruras das psicodelias Woodstokianas brotarem novamente em meu cérebro – que fervilhava, clamando o chá calmante com poderes lisérgicos e libertadores. Voltando à realidade percebi definitivamente que minhas botas de couro de burro fugido também estavam encharcadas e a cada passo faziam aquele característico som onomatopéico: Slapch, slapch. Inconscientemente andava de um lado a outro do Sallon By Zezé, tentando disfarçar a poça de uréia que teimava em denunciar aos presentes, aquela incontinência urinária fora de hora e de propósito. Logo eu! O paladino do Oeste, o baluarte dos “sem medo”, o destemido de lãs Missiones impossibles. Não poderia permitir que me chamassem de mariquinhas. Meu nome se tornara lenda no Velho Oeste. Os guris cantavam minhas façanhas em verso e prosa. Minhas aventuras idílicas e etílicas eram insuperáveis. E eu, ali, molhado, tentando esconder e disfarçar meus sentimentos mais profundos e ocultos. Sentimentos estes que não poderiam de forma alguma, transparecer, denunciadores de medos e sobressaltos. Tinha me tornado o típico herói americano, como meus predecessores: Mazzaropi, Jeca Tatu, Emiliano Zapata, Macunaíma, Ringo Star, John Weissmuller, José Martí, O Cucaracha, El Maricon, Los doble Castros d’Cuba, El Mariachi, El Chavito entre tantos outros que deixaram saudades. Abajo de La frontera Del Ecuador e arriba del Marco zero, era reverenciado por donzelas que prometiam esperar-me castas e virgens para seus primeiros encontros amorosos. Sim, era eu - um hombre de suerte como dizem lá por aquelas bandas. Após andar desorientado de um lado a outro nas dependências do Sallon By Zezé tentando expurgar o líquido que havia escorrido pelas minhas pernas implorei ao Barmam uma dose tripla daquele Bourbon legítimo, exclusividade da casa, oriundo das águas cristalinas da Escócia e da Irlanda do Norte segundo a dona do bordel/sallon.  Empertiguei-me e em pose altiva, como característica a um Ex-Marshall, gritei levando o copo ao alto: Salve o visitante ilustre que acaba de chegar – Seja bem vindo Sr. Dragão Inflacionário. Todos seguiram meu gesto e responderam a uma só voz: Tim, Tim, Mestre Dragão. Então era isso, uma reunião de aloprados e bestas feras. Estariam todos lá, ou será que ainda faltava alguém?  Solerte, me dispus a continuar espreitando aquelas figuras. Olho para o compartimento contíguo, onde mirei minutos antes aqueles vultos de um nordestino ex-barbudo e daquela figura impávida e colossal da búlgara Zilma Roskoff e tento entender o que falam. Procurei me aproximar com cuidado, pé ante pé, mantendo certa distância, pois o número de seguranças era enorme, mas ouvi algo que me espantou enormemente. Tramavam aqueles dois no compartimento contíguo, quem sucederia o Papa Bento XVI, conhecido também como: Carola Boitila. Ai, pensei comigo - isso já é de mais. Aqueles dois discutiam quem seria o primeiro neste conclave  que se avizinha. O outro assumiria depois.  A grande verdade é que essa decisão estava sendo disputada na porrinha. Esse pessoal, além de pensar que é Deus, tramava usurpar o trono de São Pedro somente para  poder utilizar aquele magnífico anel de pescador e poder se intitular, Bento. Só que de bento eles não tinham nada. O propósito dessa trama, caro leitor incluía também dar uma incrementada nas reuniões conhecidas como: beija - mão. Os sequazes adorariam e os opositores, invejariam. Tudo se resumia à seguinte lógica: A Republiqueta das Bananas dava novo salto. Vem aí, o Bolsa: Pecado, Perdão e a Remissão de todos os Pecados. Preparem seus bolsos.
Continua...