Incontinência Urinária

Incontinência Urinária


Sou do tempo do Teatro Lourdes, do Programa Roda Gigante e da Gurilândia. Fiz viagens psicodélicas no tempo das costeletas, da calça Saint Tropez, da Boca de Sino e da Pantalona. Ouriçei meus fartos cabelos e vesti umas batas incríveis. Usei calça de pano de colchão, aquelas listradonas e cada tamanco colorido de dar inveja aos gajos portugueses.  Cintos largos, anel Brucutu e tira-colo feita por mim mesmo, assim como as sandálias de couro e sola de pneu,que usei muito também. Penetrei em incontáveis festinhas de aniversário, ora me dando bem, outras sendo obrigado a sair em desabalada carreira – tudo isso à pé e ao lado dos amigos inseparáveis da juventude transviada que vivi e era gostoso, aventuresco e instigante. Curti Woodstock e cantei com Janis Joplin e Jimi Hendrix – é claro que dei umas “viajadazinhas” buscando entender a Era de Aquárius que remetia à busca da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, ou seja, uma sociedade igual. Me esbaldei ao som de Alice Cooper, Led Zeppelin e Deep Purple e posso dizer que vivi o surreal, o inatingível. Ri muito com o Mindinho, o Frajola, o Bip Bip, a Turma do Bolinha e o Agente 86. Enfrentei o Bandido da Luz Vermelha, o Homem da Capa Preta e a Loira do Bomfim. Passei noites acordado enfrentando a Mula sem Cabeça e o Saci Pererê. Vivi minha ficção lúdica e pueril. Tal qual o Homem invisível penetrei mundos inescrutáveis. Combati seres abissais e combati ao lado do National Kid. Dei muito cascudo no Goodzila. Enfrentei monstros colossais, seres fantásticos e Ciclópicos. Nunca tive medos extremos, aqueles de fazer xixi na cama – só uma vez quando sonhei que fazia xixi e acordei ensopado e quentinho em meio a uma poça de 95% de água e 3% de uréia. Os fantasminhas camaradas me protegeram anos a fio, comandados pelo Gasparzinho e pelo Brazinha, que era meu amigo do peito. Agora tudo mudou e sinto um medo tremendo. O mundo em que vivo parece não ser o mesmo de minha juventude. Nem sei mais se estou no meio de um pesadelo ou se o inferno é aqui mesmo. Personagens diabólicos me perseguem, me espreitam e me fazem sentir tremores – agora sim, faço xixi na cama quase todos os dias. Ouço falar em Bashar Al-Assad, baixando o sarrafo em seu povo, vejo Chaves, como morto vivo perpetrando o Bolivarísmo Sul-Americano com o beneplácito de Lula-lá. Norte-Coreanos enviam satélites a singrar céus de brigadeiro. Chineses enviam aviões que sobrevoam arquipélago em disputa com o Japão. O Presidente do Egito, quer ser Presidente ditador e Islamita, afrontando faraós e esfinges. Essa não é a Era de Aquárius que pretendíamos. Queriamos a das calças Lewis e da utopia. Socorro, Help-me, quero de volta - O Sombra, O Coisa e o Maluco Beleza. Prefiro enfrentar o Corcunda de Notre Dame e o Conde Drácula a ter de enfrentar Berlusconi de volta. Estou desesperado, sem rumo e caquético, sinto-me um fracassado e infeliz. Sinto que minha vida não vale um Dólar Furado. Apesar de ter sido pio e ter rezado tantas vezes a Prece de Cáritas, ainda não fui atendido pelo Pai Eterno. Minha geração está chegando ao fim, já deu tudo o que tinha que dar. Não conseguimos alinhar os Astros, por isso o mundo vai acabar; se é que já não acabou. Isto é aterrorizante, vivemos entre a indiferença, a descrença e as atrocidades.  Vivemos sem alma, como os mortos vivos. Chamem Lennon, Ghandi, Madre Tereza, Luter King, Chico Xavier e outros tantos baluartes da transformação. Roguemos então ao Apóstolo Paulo, pedindo temperança e firmeza.  Chego à conclusão de que a Filosofia é a culpada de tudo, mas  apesar disso quero encontrar a felicidade, essa coisa inatingível, mas tão necessária.  Será que não dá para o mundo acabar só sobre as cabeças desses monstros contemporâneos citados, incluindo ai, os Mensaleiros, os Cachoeiristas e os vendedores de cargos e benesses? Deus me ouça, preciso urgentemente parar de fazer xixi na cama!