Aniversário de Lagoa Santa em grande estilo

Aniversário de Lagoa Santa em grande estilo




Cidade Predestinada

Trechos extraídos do livro, “Lagoa Santa, sua história e sua gente” de autoria do Dr. Paulo C. Mendonça

“Poucas cidades, poucas regiões em Minas Gerais possuem uma história tão fascinante como a de Lagoa Santa. A presença humana em nossa região foi comprovada pelas pesquisas arqueológicas de Peter Wilhelm Lund, - notável cientista dinamarquês, cognominado “o pai da paleontologia brasileira” – como existente há mais de dez mil anos. Em suas andanças pelo sertão mineiro, Lund aqui estabeleceu residência, concentrando suas pesquisas em grutas e lapas da região. Inúmeros restos fósseis existentes em museus e universidades pelo mundo afora reafirmam a existência do homem americano, o “Homem de Lagoa Santa”, contemporâneo da era pleistocênica. Minas Gerais é diferente! Muitos já o disseram. É diferente o seu relevo, o seu solo, a sua gente. E Lagoa Santa encarna bem essa diferença. Aqui está o Rio das Velhas, a traçar-lhe os limites, destacando seus vales e lagoas calcárias e seu solo quartzoso, prenhe de riquezas. Ali está o Maciço do Espinhaço (Serra do Cipó), cortando Minas de sul a norte, de onde os aventureiros e a Coroa de Portugal extraíram milhares de toneladas de ouro e centenas de quilates de diamantes que fizeram a riqueza da Europa. Por aqui crescem as essências, enfeitadas de orquídeas e o cerrado, adornado por bromélias e pequizeiros. Aqui vive a gente mansa, que “dá um boi para não entrar numa briga e uma boiada para dela não sair”. “Aqui sim! É um belo lugar de se viver!” dizia Peter Wilhelm Lund.”

A bandeira de Fernão Dias...


“A história da região está ligada à dos primeiros desbravadores, à de Fernão Dias Paes Leme, que aqui esteve com sua bandeira criando seu primeiro povoado. Estacionado com sua bandeira na região do Sumidouro por quatro longos anos, ali o bandeirante fincou as raízes de nossa formação, deixando lições de bravura que vieram a servir de exemplo para o nosso povo. Semeando o progresso pelo sertão, a bandeira de Fernão Dias fincou mastro próximo ao local que os indígenas chamavam Anhanhancanhuva, ali fundando um arraial a que chamaram de Sumidouro.” “A história conta o singular drama vivido então, (o enforcamento do próprio filho bastardo José Dias Paes) indicando o Sumidouro como o primeiro e efetivo pouso da bandeira de Fernão Dias.”

O Sumidouro...
“A cerca de três quilômetros do Rio das Velhas, localiza-se o antigo Anhanhancanhuva, o sumidouro do Rio das Velhas. Lá estão a Lagoa do Sumidouro, onde deságua o Córrego dos Poções, e o Maciço do Sumidouro, imponente formação rochosa, de aproximadamente trinta metros de altura, que contém o referido córrego.
Este nasce na fazenda do Bebedouro, atravessa terras das fazendas Samambaia, Poções e Sobrado e, pelo vale, vem formar a Lagoa do Sumidouro, junto ao distrito de Fidalgo, no município de Pedro Leopoldo.
No maciço, as águas encontram fendas por onde se escoam. À lapa, os nativos denominavam Anhanhancanhuva, ou “o local onde está o sumidouro”.”



...E o Fidalgo!

Borba Gato percorreu as barrancas do Rio das Velhas, situado a quinhentos metros da “Casa Fernão Dias”, edificação tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico. É singelo o local, em que pese sua importância histórica para Minas Gerais. Fernão Dias e sua bandeira, Borba Gato, o Rio das Velhas e o Sabarabuçu e, ainda, D. Rodrigo de Castelo Branco “o fidalgo” (Morto por Borba Gato), são componentes notáveis da epopéia de nossa colonização e Lagoa Santa, palco onde se desenrolaram dezenas daqueles atos.” “Pelo vale do Rio das Velhas, possante torrente que os indígenas chamavam de Guaicuí, desceu a bandeira atravessando córregos e ribeirões, até chegar ao platô, em cujo fundo os bandeirantes vislumbraram uma grande lagoa a que denominaram Alagoa Grande, ou Alagoa Grande do Sabarabuçu.”

A fama da Lagoa “Santa”
“A fama curativa das águas da lagoa ganhava corpo e a região passou a ser conhecida como Alagoa das Congonhas do Sabará e, ainda no século XVIII, passou a ser chamada Lagoa Santa. Repercutia por toda a província e mesmo em Portugal, a fama do lugar. Pessoas de todas as regiões acorriam à terra. Crescia a população: Lagoa Santa já era um povoado.
Os problemas se multiplicavam e todos oravam a Nossa Senhora da Saúde, em busca da cura de seus males. Cientistas e sábios se aventuravam pelos sertões brasileiros patrocinados por seus países de origem.
Chega à terra o sábio dinamarquês Peter Wilhelm Lund e deslumbra-se com o clima e com a presença de inúmeros restos fósseis.”



A Fundação da cidade
“...o primeiro morador das margens da Lagoa Grande foi Felipe Rodrigues que, em 1733, se estabeleceu junto ao pequeno sangradouro, cultivando cereais e plantando cana, tendo erigido um pequeno engenho de aguardente. Em anos posteriores, vieram outros, não se notando, até 1747, nenhum povoado. Felipe Rodrigues foi, ao que parece, o primeiro a revelar as virtudes curativas das águas da lagoa, que viria a denominar-se santa. Segundo a narrativa, declarou o considerado fundador da localidade, Felipe Rodrigues, ao padre Antonio de Miranda, que residia em Sabará que, quando ali chegara, era portador de setenta e duas gomas abertas e depois de ter tomado, por duas vezes,  cura do azougue, o que somente fez lavar as chagas com aquela água e com dois meses de tempo se achou inteiramente são.”
“Seja lá como for Lagoa Santa é um dos tesouros com que a Providência Divina dotou nossa terra, e do qual não temos sabido tirar um útil partido. No século XVIII, a fama das águas da Lagoa Santa espalhou-se tanto que mercê das espantosas curas que realizava, para Lisboa se exportavam barris, onde eram vendidos por altos preços, com enorme consumo. Foi necessária providência régia,proibindo este comércio que, conforme escreve o Dr. Augusto da Silva Cardoso, estava prejudicando o consumo das águas de Caldas, em Portugal”.”



O Autor



Nosso querido amigo Dr. Paulo C. Mendonça, advogado militante, espírito inquieto e empreendedor veio morar em Lagoa Santa no ano de 1972, desde então, envolveu-se na política e em vários empreendimentos comerciais e culturais.
Publicou o Livro “O Tesouro de Borba Gato” e “Lagoa Santa, sua história e sua gente” que você pode adquirir na loja NoFrontiers da também nossa amiga Sandra Issida (Presidente da AMAVC) cujo endereço é: Rua Acadêmico Nilo Figueiredo, 2525, Bairro Santos Dumont 3681-3735 ou no NUMBER ONE de outra grande amiga Cylene, filha do autor, Rua Tabelião José Camilo, 99 - Centro, 3681-1411.



Nota do JD-Jornal Diferente
Lagoa Santa, cidade aprazível no presente e em franca evolução. No passado, berço de inúmeras vitórias, encantamentos e descobertas. No futuro que nos abrigue em todo o seu esplendor e fascínio. Parabéns!