Parque do Sumidouro e Gruta da Lapinha: Patrimônio de quem? (Parte II)

Parque do Sumidouro e Gruta da Lapinha: Patrimônio de quem? (Parte II)


Como foi dito em matéria anterior, o Parque Estadual do Sumidouro foi criado em 1980 e só saiu do papel por volta de 2008. Foram 28 anos de espera para que a região passasse a ser protegida e preservada. Naquela área estão vários monumentos naturais e grande parte da história desta cidade denominada Lagoa Santa. A criação do Parque do Sumidouro só aconteceu quando foi proposta a criação de uma Câmara Técnica que favorecesse a sua implantação definitiva, através do Conselho da APA-Carste (ICMBio).

Após a criação da Câmara Técnica, várias ações foram implementadas para a criação do Parque nos últimos 6 anos, promessas de geração de empregos, de turismo ampliado e benefícios para a cidade de Lagoa Santa e Pedro Leopoldo, onde o Parque do Sumidouro também está localizado. Como já foi dito, Lagoa Santa pela demora do Parque em sair do papel, acabou perdendo boa parte dele e Pedro Leopoldo que só tinha 20%, antes de sua implantação, passou a ter em torno de 50%.

Como a Gruta da Lapinha, a Gruta do Sumidouro, vários sítios arqueológicos, pinturas rupestres e outros monumentos naturais de grande importância estão localizados dentro de seus limites.
Dr. Lund também contribuiu enormemente para a grandeza do local, pois ali encontrou 30 ossadas que denominou “Raça de Lagoa Santa”, homens que viveram por aqui, há mais de 8.000 anos.
Ao mesmo tempo, Dr. Lund também achou junto a esses, fósseis de animais extintos, denominados da Mega-Fauna como: Tigre-dentes-de-sabre, Tatú gigante, Preguiça gigante, Toxodonte e outros tantos mais. O primeiro Tigre-dentes-de-sabre encontrado no mundo foi achado aqui em Lagoa Santa. Para ficar mais claro, pode-se dizer que aqueles animais do desenho animado “A Era do Gelo”, viveram aqui.

Luzia, fóssil encontrado por estas bandas, datado como o habitante mais antigo das Américas também faz parte dessa bela história, pois achado aqui nestas redondezas.
Tantos patrimônios da humanidade estiveram enterrados aqui. O Professor Walter Neves diz que Lagoa Santa tem uma grife estupenda e não a explora. Eugênio Goulart, professor de medicina e um dos fundadores do Projeto Manuelzão diz que aqui guardamos uma biblioteca de pedras.

Certamente poderíamos transformar este lugar em local de atração de turistas de todos os cantos do mundo, mas isso não aconteceu e sabem por quê? Porque o Parque é do Governo do Estado, administrado pelo IEF e, portanto, hermético e aberto somente a poucos visitantes.
Ali ao lado da Gruta da Lapinha já vicejou um restaurante ao lado de doceiras e artesãs locais. Ali naquele lugar casais, famílias e turistas de outros cantos do Brasil e do Mundo, se embasbacaram com tanta beleza e história e passavam o dia por lá.

A pracinha na entrada do Parque já foi outrora, lugar de passeios e contemplação. Hoje tudo é proibido, pois se trata de um Parque Estadual, portanto deve ser protegido. É claro que todos hão de convir que, deve-se sim protegê-lo mesmo, mas é preciso devolver um pouco a alegria dos moradores locais, assim como facilitar a sobrevivência dos moradores do entorno.
A insensatez tomou conta de todos os agentes envolvidos em sua instalação e proteção, ou seja, governo estadual e IEF. Preservam a bela história que ainda jaz naquele solo, mas impedem a manifestação cultural e a sobrevivência daqueles que moram no entorno. A vida deve estar em primeiro lugar, os costumes devem ser preservados e a cidade como um todo deve se beneficiar do seu quinhão de terra.

A população local conclama o Estado para que não vire as costas a ela e ao IEF que seja o intermediário de uma nova fase que permita o desfrute a todos os moradores desta cidade e que dialoguem com o governo municipal, pelo menos através de convênios que contribuam para resgatar e revitalizar a região. É necessário que se cumpra o que foi prometido, envolver cada dia mais a comunidade local com a instalação do Parque e devolver aos moradores da cidade o orgulho de poder dizer – temos um tesouro da humanidade em nossas terras.

Parece que ao se permitir a instalação do Parque Estadual e o seu fechamento total à população local, que houve uma apropriação indébita deste local que pertence à Lagoa Santa há várias gerações.
O governo não pode ser insensível e  se arvorar em dono daquele local e afastar com “medidas” impopulares todos os agentes e personagens que ali nasceram. Ao que parece, acabou cerceando de forma “delicada” o direito de ir e vir do cidadão Lagoasantense.
A população grita para que seja restabelecido o seu direito e que sejam possíveis ações, com as devidas proteções e cuidados e que os governantes e agentes políticos responsáveis não percam mais tempo e proponham manifestações culturais organizadas, vendas de produtos artesanais e doces da região e a liberação da pracinha em frente à Gruta da Lapinha para passeios e diversão de crianças, etc. Assim também como é solicitado a chegada de ônibus até o local.
(Continua)