JD – Jornal Diferente descobre mais um equívoco na pesquisa do IPEA sobre o estupro.

JD – Jornal Diferente descobre mais um equívoco na pesquisa do IPEA sobre o estupro.


Por Elvis Pereira
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Desde que a pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), colocando a culpa nas roupas minúsculas que as mulheres usam para o aumento significativo do estupro do Brasil, divulgada em março deste ano, uma serie de discussões sobre o assunto começou a tomar conta de todos os brasileiros.
A revolta de algumas pessoas começou poucas horas depois da divulgação da pesquisa no próprio dia 27, influenciando o movimento digital #NãoMereçoSerEstuprada  que inundou as redes sociais com fotos de pessoas de todas as idades protestando contra a culpabilização da mulher.

Nana Queiroz, organizadora do protesto, foi procurada pela equipe de jornalismo do JD – Jornal Diferente, mas não foi liberada pela emissora em que trabalha, para entrevista, mas disse em off que milhares de pessoas aderiram à sua manifestação que convidava as mulheres a se despirem e tirar fotos com os dizeres “Não mereço ser estuprada”.  A jornalista ainda disse que recebeu inúmeras ameaças de estupro após a criação da página contendo o protesto no Facebook.

O movimento, começado na web, repercutiu internacionalmente, sendo inclusive assunto no site do canal de TV britânico BBC, do jornal americano Washington Post e do portal de notícias, também americano, Huffigton Post.
Com o tremendo barulho dentro e fora do Brasil, o IPEA foi obrigado a rever os dados da pesquisa e no dia 04 de abril após constatarem que houve erro, os pesquisadores explicaram que na verdade houve a troca entre os gráficos da questão com a frase “mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar”. Com os dados corrigidos o número de pessoas que concordavam com a frase: “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser estupradas”, ficou em 26% e não em 65% como divulgado antes. Diante do erro, o diretor do Departamento de Estudos e Políticas Sociais do IPEA, Rafael Osório pediu exoneração.

Furo de reportagem do JD – Jornal Diferente:
A equipe de jornalismo do JD – Jornal Diferente teve acesso com exclusividade aos dados completos da pesquisa feita pelo IPEA e descobriu outro equivoco que pode ter contribuído para o número de pessoas que acham que a forma da mulher se vestir é a responsável pelo número excessivo de estupros. Trata-se da idade dos entrevistados.  A maioria, tanto homens quanto mulheres que responderam “sim” a esta pergunta, têm mais de 45 anos, ou seja, são de gerações bem diferentes da atual. Ainda de acordo com o documento que nossa equipe teve acesso, nenhuma pessoa com idade entre 20 e 25 anos foi entrevistada.

Participantes da Pesquisa
Nossa equipe tentou falar com algumas pessoas que participaram da pesquisa, mas só o comerciante Flávio Mendes, 46, de São Paulo aceitou falar. Por telefone Flávio disse que se arrepende de ter participado do estudo, pois na hora da entrevista ninguém falou com ele que as perguntas se referiam a estupro. “Sinceramente, não queria participar, porque de cara achei as perguntas tendenciosas, mas a moça (pesquisadora) insistiu tanto que acabei aceitando. Mas reparem, as perguntas têm várias interpretações, são dúbias e jamais mencionam a palavra estupro. Todos nós que fomos entrevistados pela equipe do IPEA tivemos que responder sobre outras coisas, que mais tarde foram associadas ao estupro para a imprensa”, diz o comerciante, ainda desconfiando que a pesquisa possa ter sido uma manobra política do governo para desviar as atenções das duras criticas que vem recebendo no momento.

O IPEA foi procurado por nossa reportagem para esclarecer as queixas feitas pelo comerciante de São Paulo, mas ninguém do Instituto quis falar sobre o assunto.  
A delegacia de Polícia de Lagoa Santa também foi procurada por nossa equipe para falar sobre os números registrados de estupros na cidade, mas até o fechamento desta edição não conseguiu contato com o delegado titular.

Valesca Popozuda,36, sem dúvida se tornou verdadeiro símbolo sexual para os homens de todo o país. A artista também aderiu à campanha contra o estupro nas redes sociais. “Participei da campanha, mas não posso discordar da opinião de ninguém e tenho que respeitar, mesmo não concordando. Mas eu particularmente não aceito o resultado dessa pesquisa. E sendo mulher, fiquei muito triste em saber que teve mulheres que concordaram com a pesquisa. Acho que todas deveriam se unir. Para mim, o homem que não consegue controlar seus instintos precisa de tratamento!” A cantora do famoso hit “Beijinho no Ombro” ainda manda um recado para as pessoas que concordaram com a pesquisa. “Em minha opinião, todos que culpam as mulheres são extremamente machistas ou ignorantes em relação ao assunto”.

A cantora Daniela Mercury, 49 e sua namorada a jornalista Malu Verçosa, 39, aderiram à campanha pelo Instagram . “Eu me inseri na campanha como uma forma de cutucar o pensar da mulher brasileira. Os mesmos motivos que levam as pessoas a serem homofóbicas são os que incentivam o desrespeito e o machismo. Infelizmente, também há muitas mulheres machistas”, conta a cantora. Já a jornalista ficou muito triste ao saber que mulheres concordavam com a frase. “O pior é saber que mulheres, acham certo serem estupradas só porque estão usando uma roupa mais chamativa. Gente, em que mundo nós estamos? Estupro é crime! Não podemos aceitar. Seria a mesma coisa que concordar com que um bandido possa matar a vitima quando não encontra nada com ela para roubar”, diz.
O ator global Cauã Reymond, 34, que está fazendo sucesso na pele de um ex-policial condenado por um crime que não cometeu na série “O caçador” não chegou a aderir à campanha oficialmente tirando fotos, mas confessa que queria ter participado. “Eu até cheguei a tirar uma foto segurando um cartaz escrito: ‘Nenhuma mulher merece ser estuprada’, mas não postei porque não ficou bacana. Depois outras coisas aconteceram e não consegui tirar outra”. A celebridade global ainda destaca que repudia qualquer tipo de violência contra a mulher. “Para mim, homem que estupra uma mulher, é doente. Tem que ficar recluso da sociedade, sem direito a nada. Agora o que me chama a atenção é que essa pesquisa não teve repercussão entre nossos políticos. Não vi nenhum deles falando sobre ela.”
Geisy Arruda, 24, empresária, atriz e modelo, se tornou conhecida nacionalmente depois de ser hostilizada na universidade em que estudava em São Paulo, por trajar vestidos curtos, considerados provocantes. Sobre a pesquisa feita pelo IPEA, ela é firme em sua opinião. “Não concordo com o resultado divulgado, nem com o antigo (65%) nem com o corrigido pelo IPEA (26%). Acho ridículo alguém querer colocar culpa nas roupas que as mulheres vestem afirmando que instigam o ato covarde do estupro”, diz Geisy, que chegou a tirar foto seminua aderindo à campanha na internet contra o estupro e para ela, homem que comete um crime desses merece a morte. “Sou a favor sim da pena de morte nesses casos. Uma punição dessas com certeza vai fazer o estuprador pensar 10 vezes antes de cometer o crime”. Finaliza
Valesca Popozuda,36, sem dúvida se tornou verdadeiro símbolo sexual para os homens de todo o país. A artista também aderiu à campanha contra o estupro nas redes sociais. “Participei da campanha, mas não posso discordar da opinião de ninguém e tenho que respeitar, mesmo não concordando. Mas eu particularmente não aceito o resultado dessa pesquisa. E sendo mulher, fiquei muito triste em saber que teve mulheres que concordaram com a pesquisa. Acho que todas deveriam se unir. Para mim, o homem que não consegue controlar seus instintos precisa de tratamento!” A cantora do famoso hit “Beijinho no Ombro” ainda manda um recado para as pessoas que concordaram com a pesquisa. “Em minha opinião, todos que culpam as mulheres são extremamente machistas ou ignorantes em relação ao assunto”.
A cantora Daniela Mercury, 49 e sua namorada a jornalista Malu Verçosa, 39, aderiram à campanha pelo Instagram . “Eu me inseri na campanha como uma forma de cutucar o pensar da mulher brasileira. Os mesmos motivos que levam as pessoas a serem homofóbicas são os que incentivam o desrespeito e o machismo. Infelizmente, também há muitas mulheres machistas”, conta a cantora. Já a jornalista ficou muito triste ao saber que mulheres concordavam com a frase. “O pior é saber que mulheres, acham certo serem estupradas só porque estão usando uma roupa mais chamativa. Gente, em que mundo nós estamos? Estupro é crime! Não podemos aceitar. Seria a mesma coisa que concordar com que um bandido possa matar a vitima quando não encontra nada com ela para roubar”, diz.