Vetor Norte: o futuro planejado

Vetor Norte: o futuro planejado


É de conhecimento comum que o Vetor Norte vem sendo o maior alvo de investimentos do Governo de Minas Gerais em todo o Estado. E isso não acontece por acaso. Tendo como base diversos estudos e planos que vêm sendo executados há anos, determinou-se que a expansão do Estado deve passar pela região. Uma das principais envolvidas no projeto é a Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, que conta com a importante presença do Subsecretário de Investimentos Estratégicos Luiz Antônio Athayde, um dos principais responsáveis por esse crescimento direcionado. Isso inclui assuntos relacionados à instalação de empreendimentos aeroespaciais, como o Centro de Tecnologia e Capacitação Aeroespacial (CTCA), o Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR), e o Centro de Manutenção da Gol, entre outros. Tudo isso, claro, pela localização no entorno da principal conexão do Estado a outras áreas: o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN). E isso é só o começo. Em entrevista exclusiva ao Jornal Diferente, Athayde esbanja otimismo e explica como esse planejamento trará benefícios ao progresso da sociedade lagoasantense em geral. Confira alguns trechos:
O futuro é agora
“Primeiro é necessário ter em mente que o porto aéreo de Minas Gerais é, na realidade, em Lagoa Santa. Foi exatamente esse território o eleito para se fazer aquele que seria, há 30 anos atrás, o aeroporto da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Convencionou-se, por um cacoete, chamá-lo de Aeroporto de Confins, mas mais da metade de sua extensão está em Lagoa Santa. Não faz sentido chamá-lo pelo nome de um município onde não está em sua totalidade.
Outro ponto a se considerar é que Lagoa Santa precisa ter uma visão do que são cidades do século XXI. O município está exatamente no primeiro perímetro de uma nova centralidade, juntamente com outros municípios, em um primeiro círculo de contato com o progresso. O Governo de Minas está hoje comprometido com o projeto de expansão de maneira estruturada com ações de curto, médio e longo prazo. É a diversificação da economia do Estado de Minas Gerais. Olhando para o Vetor Norte, ele está, na realidade, sendo preparado para ser uma área de serviços avançados, muito mais que só indústrias.
Foi preciso compreender quais são os novos setores da economia, avançados em conhecimento e tecnologia, para que pudessemos atrair novos investimentos. Isso está fortemente associado ao plano inicial que, devido à logística do porto aéreo, há mais de dez anos transferiu vôos domésticos da Pampulha para o AITN. O que acontece nessa região, atualmente, é a concentração de um plano de ocupação econômica do território de maneira ordenada e sustentável, voltada para setores intensivos em tecnologia e conhecimento. O conceito do Aeroporto Indústria, que já está homologado, é para empresas de altíssima tecnologia, onde a questão da logística é crítica.
Há empresas que ainda não migraram para a região porque a Infraero ainda não licitou a concessão do Aeroporto. Assim que acontecer, sairá a Infraero e entrará um concessionário privado, com a característica de ser um operador que, no mundo, opere pelo menos 35 milhões de passageiros por ano. Já tivemos um grande aumento na circulação de passageiros sem investimentos adicionais, simplesmente o acudimento da demanda reprimida.  E temos muito poucos vôos cargueiros. Grande parte da carga, ou seja, dos bens que são produzidos aqui na Região Metropolitana, na área eletrônica, farmacêutica e etc., vão até o aeroporto e fazem o processo aduaneiro de importação e exportação, seguindo de caminhão para São Paulo. Ou seja, nós aqui, de maneira complacente, estamos transferindo empregos para outros Estados. Esse é o fato. As pessoas precisam entender. E com a vinda de instituições tão importantes para cá, culminará com a criação de empregos que, na realidade, contribuirão para gerar mais renda. Empregos que, de fato, capacitam pessoas. Essa concessão para a iniciativa privada está prevista para o dia 31 de Outubro e será a nossa carta de alforria para entrar na nova economia. É o que Minas Gerais precisa para dar um salto rumo ao futuro. Tudo isso foi preparado e planejado por nós e está em plena execução.
Lagoa Santa é importante dada a sua proximidade com o aeroporto e o Parque Aeronáutico da Força Aérea Brasileira, além do novo Centro de Treinamento da Força Aérea (CIAAR). E quando se olha esses setores da nova economia, que têm enorme interesse para o Estado de Minas Gerais, um deles é o aeroespacial. Nele, a grande carência que o país vive é a de capacitar pessoas e como habilitá-las.”
O CTCA
“O CTCA nasce devido à carência que existe para treinar e formar pessoas e para atrair empresas do setor aeronáutico, que é sofisticadíssimo. Atualmente os setores que puxam a indústria no mundo são os setores espacial-aeronáutico. É onde se desenvolve o futuro de tudo aquilo que se deseja, toda a parte de robótica e computacional. Imagine o que teremos de empresas relacionadas, por exemplo, com o desenvolvimento de plataformas de Tecnologia da Informação ligadas ao setor aeronáutico. Então isso vai mudar o ambiente na cidade de Lagoa Santa, trazendo para cá, pessoas do Brasil e do mundo. Não só aqui, mas Lagoa Santa está na primeira fila dessas futuras cidades do conhecimento. E a população tem que incentivar e abraçar isso, pois é o que vai gerar uma agenda de prosperidade, na qual deixaremos de ser um lugar voltado apenas para o descanso, uma cidade dormitório. Isso vai ter um impacto extraordinário no comércio do município.
A atividade econômica do CTCA terá base no capital humano. São pilotos, engenheiros, aeromoças, controladores de vôo, entre outros, que virão de todo o Brasil e quiçá do mundo para serem habilitados. E, para tal, você precisa de restaurantes, shoppings, farmácias, centros de convenção. Portanto, isso irá aumentar a renda dos empresários que possuem comércio na cidade. Tudo isso contribuirá porque mais renda significa maior nível de exigência e prosperidade. Imagine um hotel que vai atender um piloto, um engenheiro. Esse empreendimento irá demandar uma mão de obra de alguém que fale inglês, de quem está muito mais ligado e plugado nessa nova realidade. Isso ajudará a dar mais renda para manter essa lagoa, que é patrimônio de todos os mineiros. É preciso ter noção de que estamos no século XXI, que acabou o tempo das carroças. Não podemos deixar uma cidade ao lado de um porto aéreo e que vai precisar criar empregos de qualidade voltar no tempo. Nós não vamos criar empregos em outro tempo, nós temos que criar empregos que estejam concentrados com essa nova realidade. Lagoa Santa tem o privilégio dessa nova fase de Minas Gerais, de estar recepcionando um centro da grandeza do CTCA.
O centro abrigará inicialmente instituições de ensino voltadas para o setor aeroespacial. O primeiro empreendimento que estará no CTCA será a primeira escola estadual aeronáutica. Levar adolescentes de 12, 13 anos de idade e formá-los para serem pilotos, mecânicos de aviação, controladores de vôo, ao mesmo tempo em que ele cumpre a sua grade do Ensino Médio é excepcional. As beneficiadas a princípio serão as crianças de Lagoa Santa. Aqui se instalará a primeira escola de Ensino Profissionalizante ligada à aeronáutica! Já está aberta a licitação para a construção desse educandário. Logo após, em parceria com o SENAI, será instalada a primeira escola de Minas Gerais ligada a mecânicos de aviação. Assim que se acertar como serão construídas as suas instalações, a EMBRAER estará fincada dentro de Lagoa Santa, dentro do CTCA. Isso para captar material humano e inteligência, o que há de mais precioso.  São essas pessoas que irão projetar os aviões. Isso requer um padrão de serviço elevado e tudo aquilo que faz com que funcione, como hotelaria, aluguel de carros, centros de convenção, etc. E isso significa geração de riqueza, oferecendo padrão qualificado àqueles que prestarão esse serviço. Isso gerará um efeito de esteira rolante. Lagoa Santa tem que ser vista como a cidade que está sendo preparada para ser o primeiro município da economia do conhecimento.
Em que ponto está
“A primeira coisa a ser feita é arrumar a estrada, o caminho, a rua para se chegar lá. Haverá um conjunto de intervenções da cidade ao aeroporto, pois estamos no conceito dos territórios que são preparados para a nova economia, em que as distâncias já não são medidas mais por quilômetros, e sim por tempo. A distância do CTCA ao AITN tem que ser de seis minutos. Por isso, precisamos de uma via de primeira classe, protegida e bem sinalizada. Nos próximos dois ou três anos a Av. João Daher será utilizada até a chegada ao CTCA, quando o caminho será feito por fora, através de uma alça que será construída nos arredores da cidade. Em algum momento, as obras vão se encontrar.”
Considerações
“Temos que ter um momento para enxergar o futuro desejado. Acho que temos que ver isso como um valor agregado maior. Lagoa Santa quer, de fato, estar integrada nesse processo de transformação da economia e se tornar uma cidade do conhecimento? Isso interessa à cidade? As pessoas irão sair de Lagoa Santa para comprar fora ou é exatamente o contrário, de maneira planejada? Queremos ou não ter o melhor Porto Aéreo do Brasil?