CIAAR - Obras sob investigação do TCU e da Polícia Federal

CIAAR - Obras sob investigação do TCU e da Polícia Federal


Lucas Amaral
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Em 2010, foram iniciadas as obras das novas instalações do CIAAR (Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica), um novo complexo em Lagoa Santa que transferirá a sede (atualmente em Belo Horizonte) da escola para um local mais próximo ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves e ao PAMALS. Com investimento total previsto de R$ 216,4 milhões, podendo ainda sofrer reajustes, as construções devem representar um importante passo na expansão do Vetor Norte e do município, com impactos diretos na geração de empregos na região.
Além disso, segundo o Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, trará como benefício sócio-econômico o aumento da capacidade de formação de novos oficiais e a redução dos custos de administração, devido à futura integração com o PAMALS (Parque de Material Aeronáutico de Lagoa Santa), cuja pedra fundamental foi lançada em 1935, com a proposta de construir aviões e hidroaviões para a FAB (Força Aérea Brasileira). Hoje, o PAMALS possui sob responsabilidade uma enorme frota de aeronaves.
Em 2010, com a presença do Presidente da República em Exercício, José de Alencar, e outras autoridades da FAB, foi realizada a cerimônia de lançamento do CIAAR no município. O centro é considerado uma unidade-escola, cuja responsabilidade é a de formar e adaptar profissionais civis e militares aprovados em concurso público nacional, destinados à admissão no quadro de oficiais daquela que é a maior força aérea da América Latina. “As obras desta escola de excelência da Força Aérea Brasileira representam um grande melhoramento não só pra Lagoa Santa, como também para Minas e para o Brasil. O trabalho que é realizado pela Força Aérea tem sido realmente objeto de nossa admiração”, disse Alencar, durante o rito, à época.
O efetivo atual do CIAAR conta com cerca de 1000 oficiais, entre homens e mulheres, cujas residências, nas instalações do PAMALS, na orla da lagoa, já estão em execução. Eles respondem pela organização e preparação dos alunos que passam por lá. Dentre as muitas escolas FAB, é a que mais contribui para o contingente, com cerca de 500 oficiais formados por ano, através de cursos de 13 a 18 semanas que adaptam médicos, dentistas, farmacêuticos, administradores, advogados e várias outras especialidades de nível superior, tal qual cursos tecnólogos em setores de manutenção de aeronaves, armamento, controle de tráfego aéreo, entre outros. A assessoria de imprensa da FAB infere, assim, que o estabelecimento contribui significativamente para a movimentação da economia local.
Mas não para por ai. Especula-se que sejam gerados cerca de mil empregos diretos, com a possibilidade, ainda, de origem de mais de 5 mil empregos indiretos. A data estimada para o fim das obras é em agosto de 2014, podendo variar de acordo com a disponibilidade de mão de obra. Assim, nessa data, a FAB irá usufruir de uma área total construída de 57 mil m², em um terreno de 700 mil m².  Os recursos alocados são provenientes do Orçamento do Comando da Aeronáutica e da INFRAERO (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroporturária) .
Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da FAB, o novo complexo contará com alojamento para os alunos, refeitórios, praças de esportes, hotéis para os militares e instrutores que não fazem parte do efetivo do CIAAR, capela, instalações de apoio (almoxarifado, lavanderia, garagem e outras edificações administrativas), edifício-sede e edifício-escola. Neste último, ficarão as salas de aula e auditório. A atual sede, em Belo Horizonte, próxima ao Aeroporto da Pampulha, passará a ser, então, responsabilidade da INFRAERO .
As obras estão, ainda, sob investigação do Tribunal de Contas da União (TCU), Polícia Federal e Ministério Público Federal (MPF), que suspeita de sobrepreço no valor de R$ 17 milhões e da antecipação irregular de repasses à construtora e contratação de mão de obra irregular. Sobre isso, a Schahin Engenharia, responsável pelas obras, informa que “todas as informações sobre a obra devem ser obtidas por meio de contato direto com o CECOMSAER (Centro de Comunicação da Aeronáutica), em Brasília, uma vez que a empresa, como contratada, é signatária de acordo de confidencialidade com a contratante”. Procurado pelo Jornal Diferente, o CECOMSAER não se pronunciou sobre o assunto.