Planejamento, um salto para o futuro

Planejamento, um salto para o futuro


Por Lucas Amaral
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O Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI) constitui uma série de ações que pretendem acelerar o crescimento econômico e progresso social do Vetor Norte de Belo Horizonte, onde estão incluídos os municípios de Lagoa Santa, Vespasiano, Confins, Pedro Leopoldo, entre outros. Antigamente, esses lugares eram considerados cidades-dormitório. O motivo da expansão direcionada nessa região é que o Vetor Sul da capital já apresentava sinais de saturação. Para tal, foram consideradas três etapas, que seriam os pilares para a implantação do plano, duas das quais já se encontram completas.
A primeira delas foi iniciada em 2004, com a transferência dos vôos do Aeroporto da Pampulha para o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (AITN), em Confins. A segunda foi a construção da Linha Verde na MG-010, obra já concluída com sucesso. A intervenção garantiu à população da região acesso rápido e seguro ao principal centro aeroportuário do Estado e à Cidade Administrativa, principal sede do Governo, também instalada nos arredores da rodovia sob influência do PMDI.
Atualmente o plano se encontra na terceira etapa, que visa de maneira mais efetiva o desenvolvimento proposto, inicialmente, no período de 20 anos, entre 2003 e 2023. Hoje na metade do período estimado, as mudanças econômicas na região são notórias, inclusive com dois centros de manutenção da Trip e da Gol já instalados nas periferias da LMG-800, via de acesso ao AITN, onde obras estão em processo de execução (ver edição nº 37 do Jornal Diferente, p.7). Em 2010, o Subsecretário de Investimentos Estratégicos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Luiz Antônio Athayde, frisou que o lugar é perfeito para o crescimento econômico. “Temos área disponível, logística avançada e aeroporto pronto, com capacidade de extensão”, lembrou.
Não é a toa que a empresa cingapurense Jurong Consultants, perita em planejamento de infra-estrutura de cidades e contratada junto ao Governo do Estado de Minas Gerais, divulgou estudos detalhados otimistas, que projetavam altos índices de expansão comercial e econômica na região. Os números mostravam uma perspectiva de crescimento exorbitante: até 2030, eram estimados investimentos de quase US$ 22 bilhões, gerando 400 mil empregos e um aumento populacional de 1,4 milhão de pessoas. A expectativa de o local tornar-se um corredor multimodal de alta tecnologia veio à tona, com incentivo focado em defesa aeroespacial, ciências da vida, tecnologia da informação, componentes eletrônicos, turismo de negócios, educação e parques de logística de distribuição e comércio atacadista, impulsionando o Produto Interno Bruto (PIB) do Vetor Norte a patamares equivalentes ao de todo o estado de Minas Gerais, à época girando em torno de US$ 172 bilhões.


Com isso, um inevitável impacto econômico acontece nos municípios próximos aos centros de investimento, que são elevados ao posto de pontos estratégicos para a instalação de grandes empresas, como afirma o gerente da Jurong Consultants Raphael Chua. “Um aeroporto não é só um lugar para decolagens. A vizinhança também passa pelo desenvolvimento. Os prefeitos precisam se organizar para preparar o território para novos investimentos, pois Belo Horizonte vai competir não apenas com São Paulo ou Rio de Janeiro, mas com Tóquio e Paris também”, afirma.
A assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais afirma que o acerto dessas decisões irá alavancar a economia em termos de mix industrial, competitividade de negócios e a criação maciça de empregos qualificados, melhorando a qualidade de vida para a população. E, além disso, grandes empreendimentos nos mais diversificados setores já foram feitos na região. Um exemplo foi o anúncio das instalações do Centro de Instrução e Adaptação da Aeronáutica (CIAAR), que se destina à formação de oficiais e o Parque de Material Aeronáutico (PAMA), visando ministrar cursos de manutenção de aeronaves e equipamentos para a Força Aérea Brasileira, em Lagoa Santa.
Além disso, neste mesmo município, o Governo investe na infra-estrutura do Centro de Tecnologia e Capacitação Aeroespacial (CTCA), um reunido de escolas, aeroclubes, centros de treinamento, empresas do setor aeroespacial e universidades.
Mas os investimentos não param por ai. Em Ribeirão das Neves, a Six Semicontudores investiu quase R$ 1 bilhão na instalação de fábrica para a fabricação de microchips ou microprocessadores. Em Vespasiano, empresas do ramo imobiliário iniciaram as obras do Alphaville, enquanto Jaboticatubas dá início à construção do projeto Reserva Real. Em Lagoa Santa, os projetos  no setor são o Residencial Vitória Golf e o Residencial Gran Royalle Aeroporto. Ainda no município, o ramo hoteleiro receberá o Comfort Confins e o Promenade Lagoa Santa, na orla da lagoa.