Família unida por amor ao futebol amador

Família unida por amor ao futebol amador


Por Fabrícia Araújo e Roberty Lauar
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No Brasil, todos sabem que o futebol é a paixão nacional. O assunto está sempre presente em rodas de amigos, nas mesas dos bares ou em família na mesa do jantar. A história que vamos contar aqui é a de uma família, digamos, muito especial, onde pai, mãe e filhos não são apenas meros coadjuvantes que assistem e torcem pelo time do coração pela TV, são protagonistas no esporte e carregam pela vida o verdadeiro amor ao futebol amador.
O chefe desta família e, principal personagem desta história é o Ézio Marcos Fernandes, de 48 anos. Ézio, como a maioria dos garotos, apaixonou-se cedo pela bola. Começou de forma tímida, jogando pelada com outras crianças do bairro Brant, quando formou o seu primeiro time. O futebol amador passou a fazer parte da sua vida definitivamente aos 14 anos, quando começou a atuar como goleiro no Colorado Esporte Clube em Lagoa Santa. Não demorou muito e um ano depois, passou a jogar no Vila Maria e logo em seguida, no Campinho,  tradicional time da cidade.  Aos 17 anos, o jovem disputou seu primeiro campeonato amador pelo time, Santos Dumont Esporte Clube e logo depois foi para o Fluminense, time de grande expressão em Lagoa Santa. E como não podia deixar de ser, sua esposa, dona Elza Ângela também fez parte deste time de atletas amadores de primeira linha, quando foi jogadora de vôlei, tendo disputado vários torneios na região.
Do Fluminense, Ézio passou em uma peneirada do Clube Atlético Mineiro e logo foi emprestado para o Villa Nova, onde disputou o campeonato mineiro de juniores. No ano de 1984 voltou para a cidade e jogou pelo Lagoa Santa Futebol Clube, time com o qual disputou vários campeonatos amadores e também muitas Copas Itatiaia, torneio amador promovido pela rádio de mesmo nome. Deixou o time aos 24 anos e a partir daí, disputou vários campeonatos em times da região. Ézio aposentou as luvas como goleiro titular de futebol amador em 2002, quando foi vice-campeão pelo, Vila Maria Esporte Clube e no mesmo campeonato, foi eleito o melhor goleiro da competição.
O velho ditado que diz: “filho de peixe, peixinho é” caiu como luva para essa família de vencedores. Os filhos de Ézio, Lucas Kennedy Fernandes, de 23 anos e Phelipe Matheus Fernandes, de 20 anos, assim como o pai, também se apaixonaram cedo pelo futebol amador. Lucas também escolheu seguir a posição de goleiro. Atualmente, os dois fazem parte do time Parados do Bela Vista Futebol Clube e há 7 anos o filho substituiu o pai tornando-se o goleiro titular do time. Atualmente, Ézio é reserva do filho e assume o seu posto em momentos raros, quando Lucas se machuca. O filho mais novo, Phelipe Matheus é armador do Guarani de Pará de Minas e disputa o campeonato de Juniores e também já foi campeão, jogando nas categorias de base. Como ainda é novo, Phelipe ainda sonha jogar em um time de futebol profissional.
Lucas escolheu atuar como goleiro por admirar a posição do pai. Quando pequeno, Lucas acompanhava Ézio nos campeonatos que disputava. Ao final de algumas partidas, vestia o uniforme sujo do pai para brincar de ser goleiro. Ézio afirma que a ligação dos filhos com o futebol começou de forma muito natural: “Toda criança brinca com bola e com meus filhos não foi diferente. Eles cresceram me vendo jogar, iam para os campos comigo e acabaram seguindo o mesmo caminho. Nunca pedi para que o Lucas fosse goleiro, foi ele quem despertou o interesse e, a partir daí, eu comecei a incentivá-lo”.  Depois que o menino cresceu, começou a treinar e levar a posição de goleiro a sério. Hoje Lucas é considerado um dos goleiros mais experientes no futebol amador da região. A trajetória dele não foi muito diferente da do pai. Começou a jogar pelo Vila Maria Esporte Clube, em seguida  jogou no time de  Vespasiano pelo Campeonato Mineiro de futebol amador. O time foi campeão do torneio e Lucas considerado o melhor goleiro da competição. Ao retornar para a cidade, jogou no Lagoa Santa Futebol Clube e venceu a Copa América e em seguida atuou em vários campeonatos amadores como o Itatiaia e Integração, além de atuar em vários outros times da região. Lucas chegou a fazer testes para atuar em times profissionais como o Atlético Mineiro, Tupi e Villa Nova e foi reprovado apenas pelo quesito altura, uma vez que o goleiro tem que medir no mínimo 1,90 m e Lucas mede 1,85 m.
Cabeça desta família de atletas, Ézio Marcos afirma orgulhoso sobre essa relação de amor  pelo futebol: “em dias de jogos, toda a nossa família vai para o campo. Minha esposa sempre apoiou a mim e aos meus filhos no esporte e o nossos melhores momentos são quando nos reunimos para falar sobre a atuação dos nossos filhos. Praticar esportes é bom em todos os sentidos, faz bem para o corpo, para a alma e para o coração”.
No último dia 30 de junho, o Parados do Bela Vista disputou a final do 2° Torneio da Amizade, contra o Aeronautas Futebol Clube. O jogo foi realizado no campo do Bela Vista e o Parados do Bela Vista perdeu para o Aeronautas por 1X0. Ainda assim, Lucas, teve uma alegria no final do campeonato. Pela segunda vez consecutiva, foi eleito o melhor goleiro da competição.