O comportamento do consumidor está mudando ou as empresas estão mudando a forma de se relacionar com o consumidor?

O comportamento do consumidor está mudando ou as empresas estão mudando a forma de se relacionar com o consumidor?


Alexandre Wagner da Silva Na realidade, as duas coisas acontecem simultaneamente, e estão transformando profundamente a maneira como as empresas procuram interagir com o seu público-alvo.
No passado, quando a concorrência era pequena e o mercado carecia de bens ou produtos, o simples fato de saber de sua existência já criava um movimento de demanda acelerada. O varejo tinha apenas o objetivo de abastecer um mercado carente, com sede de produtos que pudesse atender as suas necessidades.
A partir da revolução da informação obtida através da internet, e da intensificação do comércio internacional com a eliminação de inúmeras barreiras protecionistas (muitas das quais ainda sobrevivem com fôlego para uma longa vida), as empresas se viram diante de uma nova realidade. Os mercados em que atuavam, praticamente sozinhas, passaram a apresentar do dia para a noite, dezenas de novos concorrentes com produtos de qualidade similar e preços muito mais acessíveis.
As condições para sobrevivência se tornaram cada vez mais áridas, obrigando as empresas a uma profunda reflexão de seus custos de produção, até os mecanismos usados para atingir o consumidor.
A necessidade de mudar rapidamente obrigou as empresas a tomarem medidas radicais para garantir a sua sobrevivência. Muitos cargos foram suprimidos, produtos menos rentáveis, eliminados, e profissionais experientes com altos salários, despedidos. O que restou às empresas foram suas marcas, o maior patrimônio que possuíam, e a necessidade preeminente de reposicioná-las.
Os custos de comunicação e mídia começaram a ser questionados e as empresas entenderam que a comunicação em massa faria cada vez mais sentido em um mundo que direcionava-se mais para o indivíduo. Os antigos padrões de segmentação de mercado, como fatores sócio-econômicos, distribuição geográfica, sexo e etc, começaram a ser discutidos, pois não atendiam mais às necessidades individuais.
Entende-se que os indivíduos reúnem-se por grupos de afinidades, ou clusters, que têm comportamentos similares, gostam das mesmas coisas, mas não possuem necessariamente o mesmo nível econômico, ou social.
A partir daí,o grande desafio que surgiu para o marketing das empresas era buscar ferramentas que permitissem atingir diretamente esses clusters e submetê-los a um envolvimento emocional com a marca, buscando sua fidelização.
Iniciou-se, então, o movimento de grandes eventos corporativos como o Coca-Cola Vibe Zone, Nokia Trends, Skol Beats, Vivo Open Air, entre outros, com o objetivo de associar marcas a situações que permitissem ao consumidor vivenciá-las, em um ambiente associado ao prazer e ao entretenimento.
Não era mais suficiente ter um bom recall para a marca.Era preciso que o consumidor a mantivesse em seu coração, em íntima sintonia com as coisas que ele curte e vivencia no seu dia-a-dia; mais do que isso, era preciso dar voz ao consumidor, deixá-lo expressar seus anseios e aspirações que gerassem maior interatividade com as marcas. O consumidor passou a ouvir as marcas que, também, se prepararam para ouvi-los.
Nesta busca surgiram uma série de novos recursos tecnológicos que passaram a ser alvo de ações promocionais. Entre eles podemos destacar o Blue Tooth, Blogs, Podcasts, Orkut, SMS, MMS, ARG, e-books, marketing experiencial e marketing viral.
Alexandre Wagner da Silva é Empresário, Publicitário, Jornalista e Presidente do Sindicato dos Proprietários de Jornais, Revistas e Similares do Estado de Minas Gerais - Sindijori/MG