Moradores da região do Parque do Sumidouro cobram direitos e condições de trabalho prometidos

Moradores da região do Parque do Sumidouro cobram direitos e condições de trabalho prometidos


Por Fabrícia Araújo
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No último dia 15 de novembro aconteceu uma manifestação pacífica, no bairro Quinta do Sumidouro, em Pedro Leopoldo e no Bairro Lapinha em Lagoa Santa. Moradores da região do Parque Estadual do Sumidouro, localizado entre as duas cidades, manifestaram pelo não cumprimento da promessa de um projeto sustentável que garantisse às famílias e aos trabalhadores da região, condições básicas para a sua sobrevivência.
A manifestação foi organizada pela AFLA - Associação Antonio Francisco Lisboa. Durante o protesto, moradores reivindicavam os direitos de trabalho e o desfrute dos benefícios proporcionados pelo aumento do turismo na região.  As comunidades locais também reivindicavam por uma qualidade de vida melhor, uma vez que a população não possui os recursos como saneamento básico, saúde e emprego garantidos pela Constituição Federal.
Geraldo Ozanan de Almeida Rocha, presidente da Associação, afirmou que devido à situação caótica vivida pelos moradores locais, muitos deles se encontram doentes. Segundo ele, “o número de suicídios aumentou, doenças como depressão, hipertensão e problemas renais, levou as pessoas da comunidade ao desalento, atingindo um nível sem precedentes de miséria e abandono”.
Artesãos e doceiras que trabalhavam no parque deixaram de vender seus produtos depois que o local teve a sua área delimitada em 2008 pelo IEF – Instituto Estadual de Florestas – órgão responsável pelo Parque.  Em matéria divulgada pelo Jornal Empresarial, uma das doceiras que vendia seus produtos ao lado da Gruta da Lapinha, disse o seguinte: “após a instalação do Parque Estadual do Sumidouro, tivemos que deixar nossa barraca de doces, pois a Gruta da Lapinha ficou fechada por um bom tempo”. A doceira afirmou também que após a reabertura do parque, os vendedores e os artesãos que antes tinham seu lugar cativo ao lado da gruta há mais de 20 anos, pelas novas regras, só poderiam expor seus produtos, se participassem de um rodízio sugerido por Rogério Tavares, Gerente do parque. E ficou definido também que somente os comerciantes que fizessem parte de uma Associação Estadual, poderiam voltar a vender seus produtos nas dependências do Parque.  As vendedoras não aceitaram a proposta do gerente e hoje elas lutam para ter seus direitos e condições de trabalho de volta.
O Assessor de Comunicação do Sisema – Sistema Estadual de Ambiente e Recursos Hídricos, Emerson Gomes, informou, atendendo solicitação do JD – Jornal Diferente que “a regularização da situação das doceiras e artesãos que tradicionalmente expunham seus produtos na Gruta da Lapinha, estimulada através da criação de uma Associação, visa à institucionalização do uso do espaço, de modo que artesãos e doceiras das comunidades de entorno possam expor seus produtos lá e em outros pontos como a Casa Fernão Dias e o Moinho do Fubá, áreas que também pertencem ao parque”.  Emerson explica também que no Programa de Relação do Parque do Sumidouro com o entorno, além da participação das representações locais no Conselho Consultivo do Parque, já foram firmados termos de cooperação com a Associação de Condutores Itararé – ACITA, com a Associação Mineira de Escalada – AME além de parcerias com escolas do entorno. Durante o período de implantação do Parque, foram realizadas várias reuniões para esclarecimentos e treinamentos nas Comunidades de entorno. Vários condutores hoje são monitores ambientais do Parque e empreendedores locais estão inseridos no Guia Turístico do Parque e no Blog da unidade de  conservação. Termina dizendo que hoje o Parque conta com 62 funcionários, sendo 90% deles moradores da região, contratados através de processo seletivo amplamente divulgado. Muitos já receberam diversos treinamentos, trabalham com carteira assinada e seguros sociais garantidos. Ouvimos também o Gerente do Parque do Sumidouro sobre a questão do revezamento e sua resposta foi a seguinte: “Não há proposta para revezamento, o que há é que todos que participam da Associação das doceiras e artesãos do Parque do Sumidouro, deverão expor seus produtos num espaço comum a todos”.