O que esperar de nossos representantes?

O que esperar de nossos representantes?


Por Fabrícia Araújo
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A palavra “política”, de origem grega, é utilizada para determinar todos os procedimentos relativos à polis, que significa cidade. Para os gregos a política era exercida por homens nascidos na cidade, considerados livres e iguais perante a sociedade.
Os primeiros conceitos dados para determinar a “política”, foram fundamentados na Grécia-Antiga, por volta de 500 anos antes de Cristo, por pensadores filósofos, responsáveis por contribuir para o entendimento da “política”.
O primeiro filósofo, responsável por aprofundar o conceito sobre política, foi Aristóteles (384-322 a.C). Ele acreditava que a missão da política era investigar a melhor forma de governo e as instituições capazes de governar e assegurar uma vida “feliz” ao cidadão.  Platão (428 -348 a.C) defendia a política feita por um grupo de pessoas, capazes de manter a ordem, por meio da hierarquia e tradição.  Outro importante filósofo foi Sócrates (470 -399 a.C). Para ele, o governo deveria ser regido por “pessoas sábias”. Elas deveriam ser responsáveis por administrar a cidade.
Muitos anos depois o filósofo Nicolau Maquiavel (1469-1527) apresentou um novo conceito para a política. Em seu entendimento a política era feita através da conquista, em seguida, pela manutenção e por último a execução do poder. Para ele, é através do governo que o representante mantém sua autoridade perante a população.
Destacar as primeiras definições e ideias de grandes filósofos é fundamental para compreendermos que a política desde os seus primórdios é feita em dois âmbitos: governantes e população.  No decorrer da história da política, ocorreram muitas desavenças entre esses dois atores envolvidos, de modo que na maior parte da evolução política, os governantes foram os detentores do poder.
É preciso estudar muitos contextos para entender que a política, ligada diretamente ao nosso cotidiano, em muitos momentos, orientou a convivência em sociedade.  Através da política, conquistamos o direito de exercer a “cidadania” e lutar pelos direitos dos cidadãos.
Um dos momentos mais importantes da política em nosso país foi marcado pelo período da Ditadura Militar (1964-1985), quando o exercício da cidadania foi completamente restringido.  A população sofreu atos de violência, diante de qualquer ação contra o novo governo.  O auge da história da luta pela democracia ocorreu neste período. Diversas reformas eleitorais, entre elas, o Ato Institucional número 5 (AI-5), que representou o endurecimento militar e deu ao regime, poderes absolutos aos governantes.
Durante a República Velha (1889-1930), o poder esteve concentrado nas mãos de militares e civis. Não existia partidarismo. As escolhas dos governantes eram feitas por “oligarquias locais”, formadas por Coronéis. O poder estava com aqueles que possuíam poder aquisitivo, composta por uma elite filtrada, que tomava decisões políticas em nível nacional.
     Em 1930, Getúlio Dornelles Vargas assume o poder e transforma a política do país, trazendo a população brasileira de volta ao cenário político. Vargas foi Presidente do Brasil em dois períodos: de 1930 a 1932, durante o Governo Provisório, votado através da Assembleia Constituinte e de 1951 a 1954.  Getúlio Vargas comete suicídio em 24 de agosto de 1954 e entra para a história do país, como o primeiro presidente eleito por voto direto, no último período do seu mandato.
Também no governo de Vargas, no ano de 1932 o voto secreto foi estabelecido.  O voto foi mantido apenas para homens. Em 1934, o voto é estendido para mulheres. Foi a primeira conquista democrática de direitos iguais estabelecida no país.
O voto tornou-se direito de todo cidadão. A obrigatoriedade do voto foi estabelecida na Constituição de 1988, que estabelece que o voto torna-se facultativo para analfabetos e maiores de 16 e menores de 18 anos.  A partir dos 18 anos, o voto torna-se obrigatório para todo e qualquer cidadão.
Na opinião da aposentada Adail Eufrozina Pereira, moradora do Conjunto Ovídio Guerra, o voto deve ser valorizado pela população, mas deveria se tornar um direito facultativo.  Ela acredita que “desta maneira, o eleitor teria mais interesse pelo voto”.  Dona Adail também considera que o candidato deve ter respeito para com o eleitor. “Existe muita apelação, os candidatos não respeitam o espaço das pessoas e muitas vezes poluem o espaço urbano em busca  de seus interesses, que são os votos e não pensam em seus eleitores, na cidade e no que é preciso ser feito para melhorar a vida de todos”.
A democracia deve ser exercida. O valor representa muito mais do que apertar números de respectivos candidatos na urna eletrônica no dia da eleição. É preciso entender que o candidato eleito será responsável por criar leis que mais tarde serão inseridas no dia a dia da sociedade. Tudo que os parlamentares aprovarem como lei, refletirá diretamente na vida da população.
Ser representante do povo, não significa apenas ocupar uma cadeira na Câmara Municipal ou na Prefeitura da cidade. É preciso ter força de vontade, determinação e atitude para trabalhar e para fazer as mudanças necessárias a favor do povo.
O direito conquistado de escolher seus representantes vai acontecer no próximo dia 7 de outubro de 2012. A população tem o poder de escolha nas mãos.  O que esperar de nossos governantes então?
O trabalho a ser desenvolvido por aqueles que serão escolhidos beneficiará inúmeras famílias. O representante tem que trabalhar a favor da melhoria da cidade e em prol de toda a população. Ele também deve se lembrar que se comprometeu a trazer o progresso e as melhorias na qualidade de vida, na saúde, na educação, no transporte, na segurança e etc.
A funcionária pública Josiane Reginaldo de Oliveira, moradora do Ovídio Guerra, está sempre atenta às propostas dos candidatos. Ela considera importante ouvi-los para fazer a melhor escolha. “Infelizmente, não temos como saber se após as eleições o candidato eleito vai realmente cumprir suas promessas, mas podemos fazer o nosso papel como cidadão, observando as propostas, analisando-as e votando nos candidatos que se mostrarem preocupados com a melhoria da cidade e que se mostrem compromissados com a melhoria da qualidade de vida da população. Se somos obrigados a votar, é preciso que votemos com consciência, para não nos arrependermos depois”.
Para a dona de casa Elisângela dos Santos, moradora do bairro Promissão, “o direito ao voto é um direito de escolha conquistado e a oportunidade de exercer a cidadania plena, porém, muitas pessoas não levam a sério a importância do voto e o resultado é o baixo desempenho dos candidatos eleitos que causam decepções aos eleitores”.
Rodrigo Murta, empresário do ramo da construção civil, diz que não é possível ter certeza da escolha do voto. “Nós votamos através do que é dito pelos candidatos durante o período eleitoral. Não temos como saber se o candidato depois de eleito vai cumprir pelo menos metade das promessas feitas durante o período eleitoral”.
No decorrer da trajetória política desde a Grécia-Antiga, na busca intensa pela democracia e na conquista do voto, lá se vão alguns milhares de anos, mesmo assim, o voto tem se tornado descartável. As pessoas não veem o voto como direito e como uma conquista perene e sim como uma mera obrigação e por causa disso, muitos erros são cometidos. É preciso repensar e fazer prevalecer o seu voto consciente. A sociedade detém a palavra final através das eleições. A sociedade é quem escolhe. Pode e deve fiscalizar e orientar seus representantes durante os quatro anos de mandato. Votar com consciência não é apenas um dever, mas também uma oportunidade de buscar mudanças e novos rumos para o país e para o seu município.