O HOMEM DO CRISTO

O HOMEM DO CRISTO


Por Roberty Lauar
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O Cristo que ja tentou doar para a cidade e não conseguiuVocê já ouviu falar em Celso Vieira dos Santos? Que também poderia ser dos Anjos, dos Serafins, dos Querubins, dos deuses do Olimpo, das Personalidades do mundo? Você já ouviu falar em Celso Vieira, gente genuinamente nascida nestas terras “Lagoasantensis” há 68 anos, casado há 45 com sua musa inspiradora e companheira inseparável Neuza Cupertina dos Anjos? Se não ouviu, seguramente você já ouviu falar do Celso Vieira, escultor abençoado por Deus, assim como o “Aleijadinho”, nosso maior expoente da arte colonial no Brasil. O Celso que iremos retratar nestas linhas é o homem das esculturas gigantes e que hoje é mais conhecido como o “Homem do Cristo”. De seus onze filhos, sete seguiram sua profissão.  Na realidade, Celso não tem profissão, tem um dom, aliás, um dom Divino e Celestial, confiado a poucos predestinados e prontos para a missão. Pois bem, o nosso retratado já nasceu artista, e por sorte nossa, aqui nestas mesmas terras onde outros gigantes deixaram marcas profundas para a humanidade. Antes de se tornar artista, esse que hoje é conhecido como o “Homem do Cristo” vendeu muita lenha na carrocinha, ferro velho, mascateou um bocado e colheu muitas frutas, que vendeu como ambulante em Lagoa Santa. Celso Vieira, sua musa inspiradora Neuza e a medalha do Centenário do Dr. LindouroVida dura teve o nosso grande artista nascido aqui neste quinhão de terra Santa! De família pobre, desde criança trabalhou na roça. Uma de suas alegrias era acompanhar sua mãe até a beira da lagoa central, quando ia lavar roupa e o levava como companhia, diga-se de passagem, peralta. Ali Celso brincava e se esbaldava, nadava nas águas de uma lagoa ainda pura, cristalina e abarrotada de junco e peixes endêmicos. Disse o Celso, que pescou muito peixe na mordida, será verdade? Sua história começa a mudar, quando num belo dia ensolarado, sua esposa Neuza pediu-lhe que comprasse um pilão. Como não tinha o dinheiro para tal aquisição, resolveu fazer um e assim atender o desejo de sua amada esposa. Eis que surge sua primeira obra - O pilão da Neuza, que guarda até hoje. A partir daí, Celso, de posse de uma chave de fenda, uma foice e um machado, começou a mudar sua vida. Olhou para suas mãos e num gesto comovido de prece, disse para si mesmo: “Descobri o meu dom, agora, só Deus para me segurar”. Celso diz que está direto nas esculturas há 30 anos. Depois do pilão, nosso artista começou a entalhar uma mesa rústica pensando em faturar algum dinheiro. E assim entre uma mesa rústica e outra, ia fazendo também suas esculturas. O nosso artista lembra que ajudou seu pai a fazer vários trampolins na lagoa que tinham portão e cadeado. Ele diz que os que encomendavam estes trampolins eram “Os donos do pedaço”. Entre a venda de uma carrocinha com lenha, uma mesinha aqui, outra acolá, vendia esculturas... Vendia baratinho, mas era melhor do que vender mesa. Hoje Celso diz orgulhoso: “Tenho esculturas que não tem nem como “por preço”. Há uma história curiosa que ele conta e é a seguinte: “Quando fiz o Cristo ele estava vendido para um amigo do Robertinho da Andrade Gutierrez e tava negociado por “10 milhões”, mas o cara morreu e a escultura ficou comigo até hoje, graças a Deus!”. Celso complementa dizendo: “É tão maravilhoso trabalhar numa escultura e o mais importante não é o dinheiro, às vezes é melhor o mundo todo ver a sua obra, do que ganhar dinheiro com ela”. Ainda, segundo nosso Artista, com “A” maiúsculo, “O escultor que existia em mim, começou a surgir quando tinha 33 anos, e fiz uma mesa em Jacarandá, toda trabalhada a mão”, “Ali senti que não era simplesmente uma mesa, mas sim uma escultura”. Uma Santa esculpida: A imagem da perfeiçãoOutra obra importante e também com uma história curiosa foi quando adquiriu uma tora de Jacarandá Caviúna e fez uma mãe amamentando. Esta escultura media 1.93 de altura e pesava 180 kg. Essa é uma obra que eu tiro o chapéu até hoje e foi vendida na época para um empresário que mora no Condomínio Condados por “500 contos”. Com esse dinheiro comprei meu tão sonhado terreno aqui no Bairro Santos Dumont. Celso hoje, começa a ser conhecido também como o “Homem do Dr. Lund”. Sua escultura magistral, (capa), retratando nosso herói maior está de partida para a Dinamarca. Celso doou a escultura por sugestão do Sr. Jens Olesen e ficará na porta de entrada de um dos mais importantes museus da Europa, que está prestes a ser inaugurado em Copenhague.
Agora diz Celso: “Lagoa Santa vai me ver com outros olhos”. Depois que conheci o Sr. Jens, minha vida mudou, estou cheio de esperança. Agora vejam só, caríssimos leitores, por longos anos, esse artista maior desta terra “Lagoasantensis” se considerou esquecido pelas autoridades locais. Somente recentemente foi homenageado com a medalha do Centenário do Dr. Lindouro, que ostenta com muito orgulho e gratidão. E Celso, o Homem do Cristo e do Dr. Lund também, finaliza dizendo: “Enquanto um artista brasileiro não coloca uma peça lá fora, não é reconhecido”. Neste momento estou vivendo essa experiência linda e é a melhor sensação que alguém pode ter na vida.

NOTA DO JD: Saudemos, portanto, nosso escultor maior - Celso Vieira o “Homem das mãos abençoadas”.