Nova Acadêmico: Será que faltou diálogo?

Nova Acadêmico: Será que faltou diálogo?


As obras de duplicação da Av. Acadêmico Nilo Figueiredo começaram em 25 de julho/2011 e fazem parte do programa de governo intitulado “Nova Lagoa Santa” e tinha previsão de término em Dezembro/2011, conforme “Boletim Informativo de Agosto/2011” da Prefeitura.
O Objetivo da obra, divulgado neste mesmo Boletim era o de implantar obras de drenagem pluvial para cessar os alagamentos. Além disto, as águas das chuvas passarão a ser conduzidas de forma ordenada para a lagoa central, evitando o carregamento de resíduos sólidos e lixo, evitando o seu assoreamento.
Diz ainda o informativo que “A Prefeitura, nesta gestão, tem se preocupado em realizar as obras de drenagem pluvial e de esgotamento sanitário, antes de asfaltar as ruas”.
De acordo com o Secretário de Planejamento e Meio Ambiente, Breno Salomão Gomes: “No passado nunca houve qualquer preocupação com estas questões...”
O JD – Jornal Diferente entrevistou comerciantes estabelecidos na Rua Acadêmico sobre as obras ainda em andamento;

CAMILA QUEIROZ:
Proprietária das empresas Alegria Infantil, Alegria Teen, Alegria Brinquedos, Maidi Roupas e Acessórios

Camila acha que as obras vieram para beneficiar o comércio local, mas que faltou planejamento e diálogo por parte da Prefeitura, o que causou incertezas e grande mal estar entre os comerciantes locais.


SÍLVIA CARVALHO:
Proprietária da loja Festa & Cia

A obra era necessária e será boa para a cidade. A instalação do Centro Administrativo da Prefeitura nas redondezas também foi boa, mas ressalto que a mão única na Rua dos Operários dificulta o acesso de comerciantes e de moradores locais.


RÓGERES OGANDO:

Proprietário da loja Originalle Decorações

Acho que após o término a obra ficará excelente, mas é preciso definir bem a questão do tráfego e será necessário que a Prefeitura converse com os comerciantes locais para não acontecer novamente os transtornos pela falta de planejamento e diálogo.


FERNANDA N. DE ANDRADE:
Proprietária da loja Ponto do Cabeleireiro

Na minha opinião faltou planejamento e diálogo. O meu comércio foi muito prejudicado pela colocação de placas de estacionamento proibido e também o retorno acabou sendo dificultado. Sugiro que sejam colocadas placas de carga e descarga para minorar o prejuízo dos comerciantes locais.


O JD – Jornal Diferente revendo matérias veiculadas em jornais e revistas de três anos atrás, relembra que já houve um outro “programa de governo” denominado “Lagoa Viva” que entre outras coisas previa a mesma construção de caixas de drenagem pluvial, embelezamento da orla da lagoa central e até mesmo a construção de uma Avenida denominada – Avenida Sanitária, que acabou não vingando, pois os órgãos de licenciamentos ambientais e instituições como o CBHVelhas, UFMG e a Fundação Bio Diversitas não encontraram respaldo técnico suficiente para a aprovação de liberação de verbas para o programa intitulado “ Lagoa Viva” inclusive a Fundação Bio Diversitas havia oferecido um projeto sustentável e moderno para a Lagoa Central que acabou não sendo aproveitado pela prefeitura”.
Estes nomes de programas governamentais como por exemplo: “Lagoa Viva” ou “Nova Lagoa Santa”, fazem parte das estratégias legítimas de marketing dos governos em todas as instâncias para principalmente, divulgar obras consideradas de grande vulto e importantes. Em geral muitos desses programas acabam sendo divulgados próximo de períodos eleitorais, e boa parte deles açodados e mal planejados, redundam em dor de cabeça para cidadãos e comerciantes.


CLÉRIO E FERNANDA:
Proprietários da loja Vide Brás

Acham que este tipo de obra sempre vem a reboque da proximidade de eleições. Reconhecem que a obra pode trazer melhorias, mas tem que melhorar muito, pois ainda não terminou. O prejuízo causado aos comerciantes não terá compensação. Pensam também que faltou planejamento e diálogo e que a obra deveria ter começado de forma inversa, ou seja, começando próximo do comércio local e terminando na rotatória.


EVA REIS:
Proprietária da loja Churrasco & Cia

Sabe que a obra é boa e oportuna, mas também acha que faltou planejamento e que o diálogo não existiu. Lembra que muitos clientes, no período das obras evitaram chegar ao comércio do bairro Santos Dumont. Acha que a ponta que ficou no posto de gasolina em frente à Creche Nossa Senhora de Belém irá dificultar o trânsito na R. Comandante Victor.


NETINHO:
Proprietário do Sacolão Luzamel

Entende que a obra é muito boa, mas que poderia ter transcorrido de forma melhor se tivesse havido planejamento e diálogo. Acredita que se a obra tivesse sido feita em etapas teria sido melhor e causaria menos prejuízo. Acha também que a obra deveria ter começado próximo ao comercio local e no período da seca e não entende como interditaram uma rua comercial toda de uma só vez.


ANGELO COUTO:
Gerente da Universo Empreendimentos Imobiliários

Falar que a obra é necessária é redundante. A obra ainda não terminou, mas penso que será necessário ainda alguns ajustes para humanizá-la como: criar espaços seguros para pedestres, uma boa sinalização e ações para conter velocidades abusivas, como ocorre atualmente. Instalar radar eletrônico já deveria estar sendo pensado e ainda até mesmo criar um estacionamento rotativo que contribuiria para minimizar a falta de espaço para os consumidores. Agora o mais importante desta obra não está em cima, está em baixo, ou seja, a canalização e caixas de contenção que não mais permitirão que o barro e dejetos cheguem à lagoa central. Por fim, apesar da falta de planejamento e do diálogo necessários, temos que agradecer ao Rogério da Secretaria de Obras, que sempre nos atendeu prontamente quando necessário.


LUIZ HENRIQUE CRUZ SILVA:
Sócio da Universo Empreendimentos Imobiliários

A Obra é excelente, pois no passado, mal, mal tapavam-se buracos. Além da falta de planejamento, penso ter faltado também união entre os empresários locais para defender seus interesses. Neste período perdemos muitos clientes de porta, que deixaram de visitar a cidade e creio ter afetado bastante o comércio local.


ROSANE DA MATTA:
Proprietária da loja Além do Vynho

A obra vai trazer muito benefício, mas foi em data inadequada. Deveria ter sido planejada de forma a permitir que o trânsito fluísse melhor. A época de execução da obra, ou seja, quando o comércio mais fatura, trouxe prejuízos desnecessários. Se tivessem conversado com os comerciantes da região, que saberiam dizer sobre o melhor momento para a execução da obra, nada disso teria acontecido.


MARCOS AURÉLIO CAETANO:
Proprietário da loja Acabamentos Lagoa Santa

A obra pode vir a ser boa, mas para tanto é preciso respostas para algumas perguntas: Como é que a população da região da Várzea e adjacências vai sair da cidade? Porque não ter mão dupla na Rua dos Operários? O Gargalo do trânsito da cidade está no cruzamento próximo ao bairro Santos Dumont. A obra da rua Acadêmico, servirá para eliminá-lo? Todo mundo entra na cidade em pista dupla, bacana, mas para sair, o cruzamento do Santos Dumont (sinal) vai permitir fluidez ao trânsito? Os moradores da região do Joana D’arc estão ilhados, como fazer para facilitar a vida deles em termos de acesso e trânsito? O grande problema é que a obra foi feita de uma só vez, o que demonstra falta de planejamento e cuidado, principalmente com o comerciante local. Agora vejam o absurdo: Quem estiver na rua Acadêmico em direção a Belo Horizonte e quiser parar em nossa loja, precisará ir lá no bairro Aeronautas para fazer o retorno e voltar até aqui. Será que isso é atitude de quem deseja o bem do seu comerciante?


O JD – Jornal Diferente percebeu que não restam dúvidas, que obras são de grande importância para qualquer cidade, pois ajudam a minorar os problemas vividos com o aumento da população, com a construção de grandes empreendimentos, etc, mas planejamento e diálogo são as melhores ferramentas para evitar insatisfações e tormentos desnecessários.

DIÁLOGO: UM MÉTODO DE REFLEXÃO CONJUNTA E OBSERVAÇÃO COMPARTILHADA DA EXPERIÊNCIA
O que atualmente vem sendo chamado de diálogo é uma metodologia de conversação que busca os seguintes resultados: a) melhoria da comunicação entre os interlocutores; b) observação compartilhada da experiência; c) produção de percepções e idéias novas. O diálogo amplia a percepção cooperativa do real. Sua marca fundamental é, pois, a fertilização mútua.
A proposta não inclui chegar a sínteses nem tomar decisões; estas são as finalidades da discussão e do debate. Por esse motivo, a denominação “diálogo” é até certo ponto inadequada. Em nossa cultura, aquilo que conhecemos com esse nome é uma interação verbal — a discussão/debate — em que os participantes defendem posições, argumentam, negociam e, eventualmente, chegam a conclusões ou acordos. Portanto o diálogo é uma atividade cooperativa de reflexão e observação da experiência vivida.
Diálogo (reflexão conjunta e observação cooperativa da experiência) é uma metodologia de conversação que visa melhorar a comunicação entre as pessoas e a produção de idéias novas e significados compartilhados. Ou, posto de outra forma: é uma metodologia que permite que as pessoas pensem juntas e compartilhem os dados que surgem dessa interação sem procurar analisá-los ou julgá-los de imediato.