Personalidades homenageadas em Lagoa Santa

Personalidades homenageadas em Lagoa Santa


No dia 01 de Dezembro de 2011 a Câmara Municipal de Lagoa Santa em solenidade concorrida, entregou Títulos de Cidadania Honorária, homenageando personalidades que contribuíram para engrandecer o nome de nossa cidade. Os homenageados foram: O Deputado Federal Leonardo Quintão, Deputado Estadual Bruno de Freitas Siqueira, Sra. Maria do Carmo Lima Souza (Carminha) da Lagoartessanta, Coronel Intendente João Luis Fernandes da Silva, Sr. João Evaristo Santana, Coronel Aviador Mário Augusto de Araujo Luzzi Junior, Diretor do PAMALS, Dr. Salvador Franklin de Miranda, Dr. Carlos José Elias da Sá e o Sr. Gilson Urbano de Araújo, Secretário Municipal de Saúde. O JD tráz nesta e na página seguinte, entrevistas com três dos homenageados.

Entrevista com Sr. Gilson Urbano de Araujo
Formado em Ciências Sociais - Tereza Martin, Bacharelando em Gestão Pública – UNIJUÍ e com vários cursos em Gestão de Saúde e Administração Pública (mais de 100). Palestrante convidado em vários eventos do SUS (OPAS/Congressos/Conferências/Seminários).
Projetos Implantados:
Coordenador do projeto de Regionalização Solidária e Cooperativas do Norte de Minas - COSEMS-MG/MS/SES-MG/OPAS/UNIMONTES/AMAMS
Este projeto resultou na criação de nove microrregiões de saúde, dez CIB e a implantação do maior SAMU regional do país.
Em Lagoa Santa implantou as Regionais de Saúde, descentralizou os serviços de saúde (especialidades, coletas de materiais para exames, farmácias e transporte), o sistema de transporte sanitário – Chegar Bem, Cuidar Lagoa Santa, Academia Livre, Mãe Santa, o Educar e Cuidar, ampliou a carteira de serviços de saúde, implantou uma agenda de diálogo permanente da Câmara de Vereadores com a comunidade, os Conselhos de Saúde, a Santa Casa e movimentos sociais como a APAE, o Asilo São Vicente de Paula e outros. Vem fortalecendo os Conselhos de Saúde e implantou a progressão na carreira de saúde para servidores efetivos. Neste momento sua agenda compreende a implantação do SAMU, a UTI na Santa Casa, O centro Viva Vida e a Rede Cegonha.
JD - Resuma sua experiência profissional:
Gilson Urbano: Atuei como Gestor Municipal de Saúde de Santa Cruz de Salinas, Rio Pardo de Minas, Várzea da Palma, Diamantina e Salinas. Desde dezembro de 2009 sou Secretário Municipal de Saúde e Vigilância Sanitária de Lagoa Santa.
JD - Resuma sua visão sobre gestão pública:
Gilson Urbano: Sou servidor público, mas antes sou um ser humano que entende que tudo se dá no processo de aprendizagem, no trabalho, onde o “aprender e o ensinar” se incorporam ao cotidiano de nossas vidas. Neste sentido os gestores públicos devem buscar a construção do desenvolvimento das idéias, e estas perpassam pelo planejamento estratégico que valorizam a aprendizagem e promove o bem-estar da coletividade. Nas palavras de Aristóteles, “o homem é um animal social e político”, Então a produção do conhecimento coletivo demonstra que o ser humano se liga aos movimentos que acontecem à sua volta. É uma rede permanentemente viva e transformadora. É possível compreender que nenhum recurso tecnológico seja maior que a ação coletiva da inteligência humana. Todos os conhecimentos podem e devem ser utilizados para transformar as coisas. A Gestão da saúde é um terreno fértil de aprendizagem coletiva, pois nos possibilita coletivamente transformar os hábitos, as práticas e a visão sobre nós menos, o meio que vivemos e a melhoria da qualidade de vida da coletividade.
JD - Como você entende a saúde pública e o SUS no contexto atual?
Gilson Urbano: Desde a criação do SUS, ocorreram profundas mudanças nas demandas e nas práticas de saúde no país. Mas, para que estas mudanças ocorram de forma positiva foram e, será sempre, necessário haver também profundas transformações na formação e no desenvolvimento dos profissionais da área de saúde, na gestão do sistema e no modelo de cuidado.
Ainda convivemos com desafios dentro do SUS, tais como: profissionais da área de saúde formados com currículos engessados. As instituições não formam profissionais para o SUS. Concursos e Seleções não avaliam conhecimentos sobre o SUS e aspectos da gestão que deveriam ser conhecidos por todos que trabalham no sistema.

Ainda vivenciamos o modelo de Gestão do SUS com problemas crônicos como:
• Centralização de decisões;
• Verticalização de programas e projetos;
• Difusão de informação do nível central para o local com a implementação de normas, rotinas e ação.
O mundo atual vem imprimindo uma nova forma de promover a gestão pública, sendo inevitável a ação governamental que busque a descentralização negociada com diversos atores políticos, sociais e os trabalhadores.
O SUS é uma conquista constitucional do povo brasileiro, mas necessita:
1. Definir claramente o modelo de gestão de seu financiamento, pois os Estados e a União arrecadam mais impostos e proporcionalmente financiam menos o SUS;
2. Temos as indústrias que financiam a desarticulação do SUS, que através das grandes mídias financiam a imagem de um sistema nacional que só tem problemas. São grandes inimigos do SUS: As indústrias do tabaco, veículos automotores, derivados etílicos, fármacos e planos privados de saúde;
3. Mas o SUS em muitos de seus espaços de governança, sofre da falta de qualificação da gestão. Este é um dos mais graves problemas que precisa urgente ser resolvido.
O SUS, como política pública, tem muito que comemorar, apesar de seus dilemas. Temos um sistema nacional e unificado que atende a 100% dos agravos como AIDS, a promoção da saúde, Atenção Primária e Vigilância Sanitária. A maioria das demandas de cirurgias de alta complexidade como os transplantes de órgãos e tratamentos renais crônicos. Os constituintes foram corajosos em incluir os brasileiros no sistema nacional e único, agora precisamos definir linhas claras de financiamento e de controles internos e externos. O poder público e a sociedade precisam construir juntos as soluções que carecem o nosso SUS.