Guilherme Arantes lança novo álbum “Condição Humana (Sobre o Tempo)”

Guilherme Arantes lança novo álbum “Condição Humana (Sobre o Tempo)”


Por Fabrícia Araújo
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Foto: Pedro MatalloPaulistano do bairro Bela Vista, o cantor Guilherme Arantes é conhecido como o compositor que mais músicas fez para trilhas sonoras de novelas globais entre os anos de 1970 e 1990.  O gosto musical eclodiu em suas veias quando aos quatro anos, ganhou de seu pai um cavaquinho. Mais tarde, teve a oportunidade de estudar piano, instrumento que se tornou marca registrada do cantor. No início da década de 70, Guilherme mostrou o seu talento na banda “Morro Perpétuo” como vocal e tecladista. A banda que durou entre 1974 e 1975 foi a primeira oportunidade para mostrar o seu talento. Dois anos depois, Guilherme Arantes estreou carreira solo e logo em seguida, teve o seu primeiro sucesso estourado com a música “Meu mundo e nada mais”, trilha sonora da novela “Anjo Mal” em 1976. A partir daí, estrelou várias de suas composições em novelas como “Baila Comigo” e “Que Rei sou eu?!”.
 Entre as músicas de maior sucesso estão: “O melhor vai começar”, “Pedacinhos” e “Deixa Chover”. Com mais de 30 anos de carreira, o cantor carrega em sua bagagem musical 34 coletâneas, 25 discos, dois DVD´s acústicos: o primeiro “Guilherme Arantes – Ao Vivo”  gravado pela Sony em 2001 e  o segundo, “Intimidade” gravado pela Som Livre em 2007, com participação especial dos músicos Flávio Venturini e Leila Pinheiro. Em 2013 lança seu mais novo trabalho com músicas inéditas “Condição Humana (Sobre o Tempo)”, gravado na “Coaxo do Sapo”, gravadora  do cantor. Em entrevista exclusiva ao JD – Jornal Diferente, Guilherme Arantes fala sobre sua trajetória como músico e sobre o lançamento do seu novo trabalho.
JD - Qual a importância da banda Morro Perpétuo para a sua carreira?
Ali foi o fundamento, o alicerce de tudo.Era uma banda muito boa, com músicos excepcionais, e fomos uma das bandas mais importantes daquela cena do rock progressivo.No nosso disco, que saiu pela Continental, eu experimentava os vocais, o meu estilo que desabrocharia para o grande público no primeiro disco solo, em 76. Também serviu como currículo pra eu ser contratado pela Som Livre.
JD - Você esperava que a música “Meu Mundo e nada mais” gravada na década de 70 fosse uma das musicas mais ouvidas de todos os tempos?
Olha, com toda modéstia, esperava ter uma chance, sim, nas novelas. Mas talvez nem estivesse preparado pra uma idolatria, uma explosão. Aconteceu, e foi uma delícia ficar tão famoso da noite para o dia...
JD - Quantas músicas você já escreveu para novelas?
Pelas minhas contas, foram 28 músicas gravadas.
JD- Hoje a tecnologia para a música está bastante avançada, de modo que as pessoas conseguem ter acesso as canções de sua preferência de várias formas, principalmente pela internet. O que você acha dessa evolução no mercado fonográfico?
Muito revolucionária, democrática. Tudo muito instantâneo. Mas por outro lado, muito banalizador, facilitando e igualando oportunidades, tanto para os bons como para os supérfluos...
JD - Qual o melhor momento e o melhor local para você compor suas belas canções?
Elas nascem do trabalho cotidiano, compondo sistematicamente em “lotes” de trabalho insistente e reflexivo, dia após dia. Pra mim, o estúdio é o melhor local, tocando piano, e as manhãs são produtivas para o trabalho mais árduo. À tarde há uma queda após o almoço, voltando a produtividade só por volta das 6 da noite. As madrugadas são pra arredondar letras, dar acabamento.
JD - O que te levou a fundar a ONG “Planeta Água” na Bahia? Quais os  trabalhos que a ONG desenvolve a favor do meio ambiente?
O Instituto é sede do Conselho Gestor das APAS do Capivara e Lagoas de Guarajuba. Educação ambiental, reimplantação de espécimes nativas (mangue, restinga, dunas) e ações sociais nas áreas de população carente são nossas especialidades.
JD - Por que você não é tão presente na mídia hoje como na década de 80?
Primeiro porque a mídia toda mudou muito, não há tanto espaço para a música, e quando esse espaço existe, é preferencialmente dedicado aos gêneros populares. Também há o fator do amadurecimento, a idade, que diminui o interesse das gravadoras grandes - elas dão preferência a jovens, com mais glamour, mais atratividade pela beleza, etc...
JD - Quais os músicos da atualidade você mais admira?
Gosto do Coldplay, Adele, Sia Furler, no internacional... No Brasil, da Vanessa da Mata, Zeca Baleiro, O Quadro, Filarmônica de Pasargada, de todos os cantores do côro do meu disco... Roberta Sá, dos Racionais MCs, entre muito outros artistas atualidades que estão enriquecendo a música popular brasileira com muito talento e sucesso.
JD - Em sua opinião, os estilos musicais da atualidade tem o seu espaço cativo na MPB?
Claro, tem lugar pra tudo, no meu gosto também...
JD- Depois de alguns anos sem lançar CD´s, este ano você está com um novo trabalho: o álbum “Condição Humana (Sobre o tempo). Por que este nome? Existe alguma diferença entre esse trabalho e os anteriores?
É um disco altamente reflexivo, sincero. Acho um disco mais competente do que a maior parte dos que já fiz.
JD - Você vai trazer o novo show para Minas Gerais? Quando será?
Vamos, com certeza, fazer BH e várias outras cidades mineiras, Minas é fundamental pra mim!
JD - Você e o músico Alê Magalhães, de Lagoa Santa são amigos?
Bastante, o Alê, mais do que um grande cantor, é um cavalheiro, um grande anfitrião, muito querido por todos!
JD - Durante os shows que você fez em Lagoa Santa, como foi a recepção do público?
Foi maravilhoso, espero voltar sempre a essa cidade encantadora!