Odilon Wagner realiza diversos trabalhos nas artes cênicas

Odilon Wagner realiza diversos trabalhos nas artes cênicas


Por Fabrícia Araújo
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Na pele do mordomo Thompson da novela global “Salve Jorge”, o ator Odilon Wagner se destaca mais uma vez na teledramaturgia. Com 30 anos de carreira, Odilon se desdobra também como autor e diretor de teatro. O ator iniciou nas artes cênicas na década de 70, quando participou de grandes montagens como Filhos do Silêncio, Traições, Um Dia Muito Especial, Lilith a Lua Negra, Lição de Anatomia, Navalha na Carne e Família Muda-se, onde atuou e foi responsável pelo texto e pela direção. O primeiro contato com as câmeras aconteceu em 1982, quando o ator participou da novela Avenida Paulista, na Rede Globo. Em 1983, o ator foi para a Rede Bandeirantes e atuou na novela “Sabor de Mel”. No ano seguinte na extinta Rede Manchete, atuou na novela “Viver a Vida” e logo em seguida retornou à Globo para participar da novela “Corpo a Corpo”. Desde então, vem participando de grandes trabalhos na telinha Global.
Odilon Wagner também interpretou grandes papéis na telona. O primeiro filme foi em 1986, intitulado - “Baixo Gávea”, logo em seguida atua em “Feliz Ano Novo” e em vários outros filmes que compõem a trajetória de sucesso deste grande ator. Em entrevista ao JD - Jornal Diferente, o ator fala sobre a carreira, o personagem Thompson e como se divide como ator, diretor e produtor.
JD - Como surgiu o interesse pela carreira artística?
Ainda na adolescência, aos 16 anos, quando comecei a trabalhar num grupo de teatro estudantil ligado a PUC. Eu estava prestando vestibular para arquitetura justamente durante o processo de ensaios da primeira peça que fiz, BAAL, de Bertold Brecht, onde eu representava o papel título. Resultado: Estava tão envolvido e apaixonado pelo teatro que nem sequer acabei de fazer os exames do vestibular. Ali decidi o que queria fazer da minha vida.
JD - Como você se prepara para viver suas personagens?   Analisando sua carreira, qual personagem foi mais desafiadora de fazer?
A construção das personagens tem um processo todo especial, é meticuloso, cheio de observações e detalhismos. É necessário muita disciplina e estudo para se viver uma personagem nova. De modo geral as pessoas pensam que o ator simplesmente “faz” aquela nova personagem, que a coisa vem com o seu talento natural. Mas não é assim. É um processo, muitas vezes, doloroso, que causa muita insegurança ao ator. Existem técnicas que foram elaboradas para esse fim e a mais famosa delas é o método criado por Konstantin Stanislavski, nos anos 30 (1930).
Ainda hoje é considerado um dos mais eficientes métodos, utilizado pelas grandes escolas de interpretação, como o Actor’s Studio de Nova York.
Uma das  personagens que mais me desafiou até hoje foi na peça teatral “Filhos do Silêncio”, onde eu interpretava um professor de alunos deficientes auditivos. (Irene Ravache era a aluna por quem ele se apaixonava) Nesse espetáculo premiadíssimo que também era minha produção, eu tinha que falar e ao mesmo tempo traduzir o que falava, na linguagem dos sinais (Libras). As personagens deficientes auditivas respondiam através dos sinais e eu tinha que traduzir em voz alta ao mesmo tempo para que o público entendesse o que eles falavam. Essa peça, que depois virou um filme famoso (mesmo título) com Willian Hurt e Marlee Matlin, que ganhou o Oscar em 1987 (O mesmo papel que Irene fez aqui no Brasil e que também recebeu o prêmio Moliere 1982)
JD - Como foi para você, que fazia teatro em 1974 a experiência como ator na TV,  na novela “Super Manuela”, de Walter Negrão?
Eu era muito jovem, não conhecia nada sobre as técnicas de interpretação para TV. Foi muito instigante e estimulante, mas pouco produtivo, pois eu não sabia o que estava fazendo ali. Eu estava fazendo no Rio uma peça de Chico Buarque, o musical “Calabar”. Essa peça foi proibida pela censura da ditadura militar, na véspera da estréia. Foi um baque para todos nós e principalmente para Fernando Torres (marido de Fernanda Montenegro). Alias era um elenco enorme e Betty Faria fazia parte dele também. Naquele momento ela era casada com Daniel Filho, que então me convidou para ir para a TV participar da novela que estava dirigindo, Super Manuela.
Só depois de meu amadurecimento como ator é que a TV voltou à minha vida. Justamente depois da peça “Os Filhos do Silêncio”, em 1982. Walter Avancini assistiu à peça e me convidou para fazer a minissérie “Avenida Paulista”, na TV Globo. A partir daí não parei mais.
JD - O que você pode nos dizer sobre sua experiência na extinta Rede Manchete nas novelas “Viver a Vida” (1984) e  “Carmen” (1987)?
Foi uma experiencia maravilhosa. Viver a Vida, minissérie de Manoel Carlos, foi a primeira produção de teledramaturgia da TV Manchete (recentemente  Maneco deu o mesmo título a sua novela na TV Globo) e  CARMEM , por coincidência, uma novela de Gloria Perez (a primeira que fiz com ela) autora com quem estou trabalhando hoje, em SALVE JORGE. Foi um período muito criativo e estimulante, pois estavamos participando da história de uma grande emissora de TV.
JD -  Qual a importância da novela global  “Corpo a Corpo” (1985) para a sua carreira?
Foi uma novela muito importante na minha carreira, que marcou muito, pois minha personagem se confundia com a de um outro ator que representava o Diabo. Foi a primeira novela que fiz sob direção de Denis Carvalho e Jayme Monjardim, diretores com quem trabalhei muitas outras vezes durante esses anos todos. Foi também a primeira novela de Gilberto Braga que eu fiz. Pude contracenar com  atores maravilhosos como Antonio Fagundes, Glória Menezes, Malú Mader, que estava começando…Foi muito especial em minha carreira na TV.
JD - Qual  a diferença entre atuar em telenovelas e no cinema? Qual trabalho das telonas foi mais significante?
Cada veículo tem a sua linguagem, a TV é mais rápida e industrial, o cinema mais lento e artesanal. Mas tem um meio termo, que são as minisséries, onde temos mais tempo para elaboração e criação, além de conhecermos a história do começo ao fim, (diferentemente das novelas que são escritas enquanto elas estão no ar) Assim os atores tem mais estrutura e tempo para desenvolver suas personagens. Não é a toa que foi em minisséries que eu mais “me gostei”. Cito 2 trabalhos significantes pra mim: O TEMPO E O VENTO (direção Paulo José) e CHIQUINHA GONZAGA (direção Jayme Monjardim)
JD - Se você não fosse ator, o que você seria?
Um arquiteto frustrado…Brincadeira…não sei…eu adoro cozinhar, adoraria ter um restaurante.
JD - Em 2012, você fez uma participação no sitcom “Louco por Elas”, da Rede Globo. Já fez outros trabalhos com o mesmo formato? Como foi participar deste sitcom?
Sitcom é um formato que vem se firmando na TV brasileira e é adorável, pois trabalhamos com elenco pequeno e cada personagem é muito bem estruturada. Adorei participar de LOUCO POR ELAS. O João Falcão é um criador fenomenal e a direção de Flavia Lacerda, brilhante. Eu me ofereci várias vezes pra ficar no elenco fixo…mas não colou… rs.
JD -  Como você se divide entre as profissões de ator e diretor? Você já atuou em alguma peça que já dirigiu? Qual o maior desafio nesta situação?
Pois é, a gente tem que ser muito ativo e entusiasmado para que as coisas dêem certo nessa carreira. Eu escrevo, dirijo e atuo. Cada uma dessas atividades tem seus prazeres e angústias. Em 2008 dirigi e atuei numa peça que eu mesmo escrevi, FAMILIA MUDA-SE, que ficou 2 anos em cartaz. Existe um prazer muito especial em atuar numa peça que você mesmo tenha escrito, pois, sabe-se exatamente aonde se quer chegar. Porém é necessário ter um bom diretor assistente, para te dar um outro ponto de vista. Este é o maior desafio quando se acumula funções num mesmo espetáculo, saber ouvir. Aliás essa é principal habilidade que um ator deve ter. Gosto muito de dirigir também, tenho um prazer especial em colaborar com os atores com quem trabalho a conquistar o melhor que eles podem oferecer. Atualmente estou com uma peça que dirigi e produzi. É uma comédia muito instigante e inteligente que chama-se  COMO TER SEXO A VIDA TODA COM A MESMA PESSOA, com a fantástica atriz paulista Tânia Bondezan. Dirigir a Tânia nesse espetáculo foi uma experiência fascinante. Aliás, estaremos em Belo Horizonte nos dias 3, 4 e 5 de Maio, no Teatro Bradesco. Vou adorar receber o público de Lagoa Santa lá no teatro.
JD - Na novela “Salve Jorge” você está vivendo oThompson. É seu primeiro personagem como mordomo? O que você pode dizer deste trabalho?
Sim, é a primeira vez que faço um mordomo e estou adorando. É impressionante como as pessoas simpatizam com o Thompson, apesar dele ser meio ranzinza e antiquado. A torcida para que ele fique com a Lucimar é enorme, houve até uma pesquisa na internet e deu 96% a favor do casal. Glória Perez está construindo com muita delicadeza a história dos dois. Thompson é íntegro até a alma, como Lucimar. Também torço para que eles fiquem juntos. Thompson é completamente diferente de tudo que fiz em televisão e isso é muito estimulante. Foi muito gostoso compor essa personagem e trabalhar com atrizes incríveis que eu admiro tanto, como, Nicete Buno, Natalia do Vale, Ana Beatriz Nogueira, Dira Paes e tantas outras.
JD- Quais são os seus próximos projetos para depois da novela?
Já estou em produção de uma nova peça que escrevi e vou dirigir. Chama-se A ULTIMA SESSÃO, é uma história de um grupo de amigos que tem entre 75 e 85 anos de idade. É uma peça sobre os valores da maturidade, sobre o amor na maturidade. Quero juntar um grupo de astros do teatro, como Paulo Goulart, Nicete Bruno, Laura Cardoso, Etty Fraser, Miriam Mehler, Beatriz Segall, Emiliano Queiroz e outros que admiro tanto. Vai ser um acontecimento teatral. Espero estrear no segundo semestre em São Paulo. Além disso estou aguardando a estréia de um lindo filme que fiz recentemente, com Lázaro Ramos, Aline Moraes e Mayana Neiva. O Vendedor de Passados, de Lula Buarque. Nesse filme faço um cirurgião plástico que é quase um pai adotivo do Lázaro. Temos muitas expectativas em relação a esse filme.