Sucesso absoluto nos anos 80, RPM mantém estilo musical que há anos encanta o público

Sucesso absoluto nos anos 80, RPM mantém estilo musical que há anos encanta o público


Foto: Gabriel Wickbold

Por Fabrícia Araújo
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Uma das bandas de maior prestígio no cenário do rock brasileiro, a banda Revoluções por Minuto, mais conhecida pelo público como RPM, surgiu em 1985 e se tornou sucesso absoluto entre os anos de 1986 e 1987. Com estilo poprock original, a banda conseguiu emplacar vários hits além de conquistar o maior número de vendagens de LP´s da época, cerca de 5 milhões de cópias vendidas.
    Tudo começou em 1976, na cidade de São Paulo, quando o então crítico musical Paulo Ricardo escutou os ensaios vindos da casa do vizinho de sua namorada. Com vasto conhecimento na área, Paulo Ricardo foi até a casa de Luis Schiavon, para conhecer um pouco mais daquele som que eclodia pela vizinhança.  Paulo aparece na casa do músico num momento de indecisão – Luis não sabia se cantaria suas canções em inglês ou em português. Depois de muito conversarem a respeito de música, os argumentos de Paulo Ricardo convenceram Luis a cantar em português. Inicia então, uma linda e longa parceria, recheada de projetos e muito sucesso.
    No início da década de 80, Paulo Ricardo e Luis Schiavon compuseram a primeira música “Olhar 43” – que mais tarde seria o single que lançaria uma nova banda. Além desta, os amigos compuseram também “A Cruz e a Espada” e a música que daria nome a nova formação – “Revoluções por Minuto”.
    Para formar um novo grupo musical de estilo rock nacional, os amigos convidaram os músicos Paulo Pagni e Fernando Deluqui. O grupo foi assim composto por Paulo Ricardo (vocal e baixo), Luiz Schiavon (teclados), Paulo P.A Pagni (bateria) e Fernando Deluqui (guitarra).
    No ano de 1985, a banda lançou o primeiro LP, batizado de “Revoluções por Minuto”, que alcançou sucesso absoluto tendo quase todas as faixas tocadas nas principais rádios de todo o país. O grupo vendeu cerca de 100.000 cópias e foram contemplados com o disco de ouro. A música “Olhar 43” foi a primeira a cair no gosto do público, levando a banda para as paradas de sucesso.
    Em 1986, a banda RPM lançou o LP “Rádio Pirata Ao Vivo” com supervisão do mega empresário Manoel Poladian. O novo LP chegou a 2,2 milhões de cópias vendidas e o grupo se destacou como o maior vendedor de LP´s da indústria fonográfica da época.
    Depois de muitas idas e vindas, realização de inúmeros projetos musicais, gravações de discos e nova formação da banda por pequeno período, no ano de 2011, os quatro integrantes da primeira formação retornaram com a banda e lançaram o CD “Eléktra”, com arranjos musicais do tecladista Luis Schiavon, trazendo uma nova roupagem composta de musicas eletrônicas, com letras leves, priorizando temas sobre amor e diversão.
    Em entrevista exclusiva para o JD- Jornal Diferente, Paulo Ricardo fala sobre a consolidação do sucesso, a parceria dos integrantes da banda há tantos anos e os novos projetos musicais que estão por vir.
JD: Como é para vocês serem reconhecidos pelos sucessos do passado, com músicas que marcaram gerações e ainda serem prestigiados pelos jovens?
Paulo Ricardo: Sempre acreditamos em fazer um som diferente para agregar o máximo de gostos e pessoas. Ficamos felizes com todo e qualquer reconhecimento, tanto dos nossos fãs de sempre, como dos mais novos e que estão chegando agora.
JD:  De quem foi a ideia do reencontro após 10 anos sem RPM?
Paulo Ricardo: Vínhamos conversando desde o lançamento do “Revolução! RPM 25 Anos” em 2008, composto por 4 CDs e 1 DVD. Em 2010, fomos convidados pela Rede Globo para protagonizar um episódio da série “Por Toda a Minha Vida” e, a partir daí, estas conversas tornaram-se mais frequentes. Quando o programa foi ao ar ficamos muito emocionados com a homenagem e vimos o carinho que as pessoas tem pela banda e então falamos seriamente sobre uma volta definitiva. Em novembro de 2010 começamos a compor as músicas do novo álbum.
JD:   O que mudou com este último encontro?
Paulo Ricardo: Acho que continuamos com vontade de fazer coisas novas, muito shows por todos os cantos, compor cada vez mais...
JD: Existe alguma diferença entre o RPM de 1980 e o de hoje?
Paulo Ricardo: Quisemos retomar de uma maneira orgânica e tranquila para fazer tudo dar certo sem pressa nem ansiedade negativa. Não tem como não mudar em quase 30 anos de história, de vida, de banda, mas é mais fácil dizer o que continuou igual, que como disse antes, é a vontade de sempre inovar, poder se apresentar no máximo de lugares possíveis, essas coisas...
JD: Como vocês lidam com os momentos altos e baixos que a banda passou?
Paulo Ricardo: Como coisas da vida. Costumo dizer que somos mais que uma banda, somos uma família, e com família, quando tem briga, sempre tem perdão, conciliação, porque o laço é mais forte que qualquer coisa.
JD: O último CD lançado em 2011 pela banda, Elektra trouxe um repertório diferenciado de antigos trabalhos do RPM, um ritmo mais dançante. Valeu a pena inovar neste último CD?
Paulo Ricardo: Sim, muito. Hoje em dia, no sentido tecnológico, é muito mais simples brincar com novas sonoridades, lançar música pela internet, de uma certa forma é mais confortável...
JD: Como aconteceu o convite da Globo, para gravarem o tema de abertura do Big Brother Brasil, com a música “Vida Real”? De que maneira este convite favoreceu a banda?
Paulo Ricardo: O programa está no ar há 13 anos e acho que uma mudança na música tema seria um sopro de novidade nessa edição. Gostamos desse convite porque deu para dar uma cara nova a uma canção já bem conhecida, que é quase um hino, o que foi  tanto um desafio como um prazer enorme. Quisemos resgatar a emoção de quem quer participar do programa, que é uma paixão nacional.
JD: Qual o fato mais marcante ocorrido com a banda desde a sua formação?
Paulo Ricardo: Tudo. Não posso escolher. Estar nessa banda tem sido uma jornada incrível. A retomada, porém, foi uma coisa muito boa que guardo no meu coração como um pedido vindo dos próprios fãs, o que torna melhor ainda.
JD: Quais serão  os próximos projetos do RPM?
Paulo Ricardo: Um disco de inéditas está por vir ainda esse ano!