Será que “Bobeira Pega” mesmo?

Será que “Bobeira Pega” mesmo?


Por Fabrícia Araújo
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Pedro Bismarck, humorista consagrado na pele de  Nerso da Capitinga, conta para o JD- Jornal Diferente, como o humor passou a fazer parte de sua vida e do prazer de fazer a alegria das pessoas com espetáculos apresentados pelo Brasil inteiro.
JD: Como surgiu a oportunidade de ingressar na carreira artística como humorista?
R: Quando criança eu já gostava de fazer graça, mas percebi que era mesmo engraçado, quando vim para Juiz de Fora para servir o Exército, onde pretendia seguir a carreira militar.
JD: Qual foi o seu primeiro personagem?
R: O primeiro personagem que criei foi o Nerso, que na época se chamava Denílson.
JD: “Nerso da Capitinga” é o seu personagem de maior destaque e reconhecimento. Você pode nos contar um pouco a história dele?
R: O personagem Nerso da Capitinga surgiu como uma brincadeira. Na época eu já estava no exército, e depois de cinco horas da tarde, não tínhamos muito o que fazer, aí eu começava a brincar com os colegas fazendo o menino bobo da roça. Eu contava as piadas já adaptadas para o linguajar do povo da Capitinga e com isso, eu criei o personagem em meados de 81.
JD: Por que você optou por aderir a  linguagem “caipira” utilizada por Nerso da Capitinga?
R: Quando criança, ia visitar o meu avô que morava na roça e sempre ficava observando as pessoas e os seus comportamentos. Como hoje ainda continuo morando em um sítio, estou sempre rodeado de tipos que continuam contribuindo para o personagem
JD: O humor sempre se fez presente na sua vida? Quando você percebeu que poderia  trazer diversão e alegria para as pessoas?
R: No Exercito a minha veia cômica já transparecia nas brincadeiras com os companheiros de farda, e foi ali, durante os intervalos de descanso, que percebi que podia levar a sério  a profissão de fazer rir.
JD: Há quanto tempo você está com o personagem na Rede Globo? De que maneira a emissora contribuiu para o crescimento do personagem?
R: São 23 anos. No ano de 1990, eu gravei um vídeo para possivelmente participar de um caminhão do Faustão que viria a Juiz de Fora. Essa fita se perdeu e quando a Escolinha do Professor Raimundo passou de uma apresentação semanal no programa do Chico, para uma apresentação diária na TV Globo, eles começaram a procurar novos artistas para compor o elenco da Escolinha. Um diretor de programação da região, que era amigo de um dos diretores da Escolinha e que já tinha assistido ao meu show várias vezes em Juiz de Fora, acabou tendo acesso a essa fita, que acabou parando nas mãos do Chico Anysio. Tudo isso aconteceu sem o meu conhecimento, quando recebi o contato da produção informando que o Chico tinha se interessado pelo meu personagem, achei que era trote. Fui contratado  e a Globo me projetou para o país inteiro.
JD: Qual a influência do humorista Chico Anísio em sua trajetória?
R: O Chico sempre foi o meu ídolo e eu sempre me espelhei no seu profissionalismo para embasar o meu trabalho. Às vezes eu imitava alguns dos seus personagens e era espectador assíduo de tudo o que ele fazia. De repente me deparei com aquele “monstro” do humor não só me orientando como me recebendo no seu programa. A Escolinha foi sem dúvidas a maior oportunidade que tive na carreira e o Chico foi literalmente o meu primeiro professor (risos).
JD: Você já fez algum personagem que foge dos padrões humorísticos? Como foi essa experiência?
R: Nunca fiz uma peça séria, mas acho que com alguma preparação seria possível. Dizem os grandes atores, que é mais fácil fazer chorar do que rir.
JD: Para você, qual é a maior gratificação em levar o humor para crianças, idosos e adultos?
R: Eu sempre falo que sou um privilegiado, pois ganho a vida fazendo o que mais gosto, levando alegria e descontração às pessoas. É muito prazeroso ver uma platéia sorrindo.
JD: O que o público de Lagoa Santa pode esperar para o espetáculo do Nerso da Capitinga?  Nerso, mande um recado para os Lagoasantenses!
R: Eu já estive em Lagoa Santa algumas vezes, e fui sempre muito bem recebido, então é com muito prazer que estou voltando para me apresentar com o Show “Bobeira Pega”. Espero contar mais uma vez com o carinho e com a presença de todo o publico de Lagoa Santa.