Dr. Lund – O Pai da Arqueologia e da Paleontologia Brasileira “Parte 4”

Dr. Lund – O Pai da Arqueologia e da Paleontologia Brasileira “Parte 4”


O Mistério de uma vida:
Nunca se soube ao certo quais os motivos que levaram Lund a interromper sua carreira. A única pista se encontra num curto parágrafo de uma carta enviada em 10 de janeiro de 1845 para JOHANNES C.H. REINHARDT (1776-1845), seu antigo orientador.
“O trabalho nas cavernas está no seu final, não porque este não me dê prazer nem me falte material. Conheço algumas enormes cavernas de ossos que merecem ser escavadas, mas me falta saúde para tanto, assim como um aprendiz bem instruído para me ajudar. Mas a razão principal são as consideráveis despesas, as quais não me vejo mais em condições de arcar através de meus próprios meios.
OBS: “Lund escreveu a seu antigo orientador o trecho aí descrito, não deixa dúvidas, pois se trata de um documento de próprio punho, portanto oficial e não especulativo”
Renhardt nunca chegou a ler a carta. Morreu antes de recebê-la. Como Lund jamais tocou no assunto com sua família e os amigos no Velho Mundo, o que ficou para a história foi a impressão de que tudo não passou de uma desculpa esfarrapada. Afinal, ele era um homem rico. Se era verdade que não tinha recursos para prosseguir sua empreitada, como então conseguiu passar o resto da vida num fim de mundo sem trabalhar, gastando seus dias entre longas caminhadas, passeios a cavalo e os cuidados do seu jardim.
Muito se especulou sobre as razões que levaram o naturalista a interromper suas pesquisas. Na biografia que escreveu em 1882, seu discípulo e amigo J.T.Reinhardt (filho de Johannes C.H.Reinhardt) apontou o isolamento científico e a dureza do trabalho nas cavernas, muitas vezes em condições insalubres – Lund era conhecido por sua saúde frágil.
Já o francês Henri Gorceix, diretor da Escola de Minas de Ouro Preto, escreveu em 1884 que a razão teria sido espiritual, decorrência do isolamento no Brasil.
Decorrido um século, a historiadora dinamarquesa Birgitte Holten adicionou na década de 1990 outro ponto de vista. Ela teve acesso à correspondência do naturalista, arquivada em Copenhague. Segundo Birgitte, muitas hipóteses têm sido discutidas, “e o próprio Lund jogou combustível ao fogo com suas diversas escusas, polidas, divergentes e obstinadas”, afirma. Suas preocupações com a saúde parecem totalmente exageradas, (...) mas por outro lado algumas das suas preocupações – como não ir ao Rio enquanto a cidade estivesse com surtos de febre amarela – era a única coisa sensata a fazer (...). Sem dúvida; Lund era um excêntrico, como não existem mais”.