Dr. Lund – O Pai da Arqueologia e da Paleontologia Brasileira “Parte 3”

Dr. Lund – O Pai da Arqueologia e da Paleontologia Brasileira “Parte 3”


Peter Wilhelm LundLund encontrou evidências da coexistência do Ser Humano com a “Mega Fauna” extinta. A descoberta era extraordinária. Para saber por que, o leitor precisa ter em mente que em 1843 Charles Darwin ainda não havia publicado “A Origem das Espécies” (1859) e que, portanto, ainda não existia a Teoria da Evolução das Espécies. Antes de Darwin, era senso comum que todas as formas de vida surgiram no “Gênesis”. O que se discutia era por que Deus teria se dado ao trabalho de destruir a sua própria criação, questão premente desde que começaram a ser identificados ao redor do globo “Fósseis” de animais extintos, como o “Mamute Siberiano” no século XVII e o “Mastodonte” americano no século XVIII. Na época de Lund, a resposta para essa questão estava na teoria do “Catastrofismo”. Seu autor, o naturalista francês “Georges Cuvier”, explicava o desaparecimento das espécies pela ocorrência de diversas “Revoluções” na superfície terrestre (Ele nunca usou o termo Dilúvio), que teriam dizimado por completo os seres vivos das regiões atingidas. Estas, por sua vez, teriam sido repovoadas por espécies de outros habitats. Lund era um discípulo fervoroso de “Cuvier”. Seu sonho ainda nos tempos da universidade de “Copenhague” era empreender uma viagem pelo mundo para coletar espécimes e voltar à Europa para estudá-los pelo resto da vida – exatamente como “Darwin” fez. E, assim como “Darwin”, Lund possuía recursos para tanto. Seu pai era um rico comerciante que, ao morrer, deixou sua fortuna para três filhos. Enquanto “Johan Christian e Henrik Ferdinand” ficaram na “Dinamarca” cuidando dos negócios da família, Peter Wilhelm resolveu, em 1825, sair mundo afora. Quando, em 1834, ele se deparou com os “Fósseis do Vale do Rio das Velhas”, identificou ali a oportunidade de uma vida, a chance de encontrar subsídios para comprovar a teoria de “Cuvier”. Mas o que aconteceu foi exatamente o contrário. Ao longo das pesquisas, Lund foi perdendo suas crenças no “Catastrofismo”. Quando, em 1843, encontrou as “30 Ossadas Humanas” misturadas com as de “Animais Extintos”, foi o banho de água fria que faltava. O ser humano havia convivido com a “Mega Fauna”. Se “Cuvier” estivesse certo, nossa espécie “teria desaparecido” junto com as “Preguiças Terrestres”, aquele dinamarquês jamais teria escavado caverna alguma e você não estaria lendo este artigo. Anunciar ao mundo a existência da “Raça de Lagoa Santa” tinha tudo para se tornar o auge da sua carreira. A descoberta lhe garantiria fama e uma posição de destaque em qualquer museu da Europa. Apesar do tremendo potencial do achado, Lund varreu a notícia para baixo do tapete. Limitou-se a produzir um pequeno ensaio publicado em 1845 em dinamarquês e em francês e não deu continuidade ao estudo dos esqueletos. O que fez em seguida foi ainda mais inacreditável: aos 44 anos e no auge das energias, ele jogou tudo para o alto. De uma hora para outra encerrou o trabalho nas cavernas. Doou suas coleções para o rei “Christian VIII, da Dinamarca. Encaixotou e despachou dezenas de baús para Copenhague. Vendeu seus escravos e nunca mais botou os pés fora do pequeno arraial de “Lagoa Santa”. Aqui viveu uma vida pacata por 35 anos, até falecer em 1880, aos 79 anos.